14 Setembro 2018      14:40

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Investimento. Onde andas?

Para Portugal crescer como todos nós, cidadãos portugueses, queremos, é necessário investimento. E para termos crescimento é preciso confiança. Historicamente falando, basta pensar que Partido Socialista e boa fama na gestão das contas públicas não é coisa que combina, principalmente, por não existir o bom senso de precaver crises económicas ou choques externos.

Tem existido uma retração no investimento nas pequenas e médias empresas, retração essa, à qual devemos estar atentos. Não devemos esquecer que é o investimento que semeia as bases do crescimento futuro e Portugal anda há anos à procura deste dinheiro que fertiliza a economia numa altura em que o mundo atravessa uma revolução tecnológica, exigindo às empresas respostas rápidas em várias direções. Contudo, muitas não o fazem, nem sequer têm capacidade para o fazer.

Dizem os inquéritos do INE que a redução do investimento nas PME se deve, essencialmente, à perceção das empresas, de que irão vender menos no futuro, tanto para mercados em situação frágil como Angola ou Brasil, mas também a nível doméstico.

Isto significa que a política de devolução de rendimentos, mesmo considerando a mesma socialmente justa, não gerou a convicção necessária para que os empresários apostem no seu negócio.

Depois, para piorar, e por muito que o Governo se esforce para vender a palavra confiança, a fórmula política encontrada num arco tripartido agrilhoado a feitios ideológicos de superioridade moral, acabou por agravar ainda mais o clima de instabilidade junto dos empresários.

Cada vez que Catarina Martins fala, eleva-se ao quadrado o receio de se agravar exponencialmente o problema da imprevisibilidade do quadro fiscal português. Este Governo fez as suas opções, e dificilmente conseguiremos captar investimento sustentável e de qualidade enquanto a legislação fiscal for usada como instrumento de luta político-partidária, alterando-se ao sabor das vontades circunstanciais e do contexto.

O tiro de partida para as legislativas já foi dado, e parece que nem Keynes pode ajudar à situação.  É que o investimento público anda pelas ruas da amargura numa espécie de austeridade encapotada com efeitos bem visíveis na saúde, educação e transportes. Depois, ainda temos as cativações e um Portugal 2020 em marcha lenta na sua execução relativa a investimentos estruturantes de iniciativa privada para as várias regiões do país.

Não, não podemos ficar apenas satisfeitos com o cumprimento das metas do défice acordadas. É preciso ser capaz de construir uma narrativa credível e coerente sobre o rumo do país e geradora de ganhos de confiança. Com o Orçamento para 2019 talvez tenhamos um contributo nesse sentido, contudo, com mais ou menos pozinhos para agradar a clientela do costume, parece-me que isso não passará somente de uma hipótese nula.

 

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