15 Abril 2018      10:11

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A imprensa livre é perigosa?

A imprensa livre é perigosa se as intenções de quem governa forem malignas ao regime democrático.

O dia 13 de abril foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1993, como o “Dia Mundial da Imprensa” e que marca a defesa da UNESCO da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa, fortes vias do pluralismo e considerados direitos humanos

Nas comemorações deste dia não se viram grandes celebrações, grandes comentários nas redes sociais, nem nada que se pareça. No entanto, a Imprensa desempenha na vida da sociedade um papel ímpar de informação, promoção da igualdade e da democracia, isto porque leva até si os acontecimentos de um modo desinteressado e neutro, democratizando o conhecimento sobre o mundo que o rodeia.

Hoje em dia, consegue até aceder a vários tipos de imprensa e com diversas orientações políticas e sociais ou consoante a sua área de interesse. Mas nem sempre foi assim por cá. Nem é assim, hoje, em todo o mundo.

Por cá, celebram-se em breve os 44 anos do 25 de Abril de 1974, uma data bem marcante também na imprensa nacional, até então vítima do lápis azul da censura.

Mas se pensa que os tempos difíceis da imprensa já lá vão ou que a Liberdade de Imprensa é já é uma garantia está enganad@ e basta assistir aos apelos a boicotes à imprensa por parte de alguns dirigentes futebolísticos nacionais ou – mais a sério e credível – atentemos ao Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa de 2017 – levada a cabo pelos Repórteres Sem Fronteiras - e que mostra uma realidade preocupante, revelando um aumento exponencial e até uma banalização dos ataques contra os média e um regresso aos condicionamentos de políticos autoritário, da propaganda política e da repressão ao estilo Goebbels, e não, não falamos de países com ditaduras, falamos de Democracias ditas exemplares os Estados Unidos - que são agora 43os – ou o Reino Unido – 40º, e que têm condicionado fortemente a comunicação social ora por Trump ser Trump, no EUA, ora pela campanha Brexit, na Grã-Bretanha.

A Polónia de Jaroslaw Kaczynski – que corre perigosamente na ténue linha entre democracia e extremismo – é 54º - e após o estrangulamento financeiro vários impostos a muita imprensa independente opositora ao regime e dada crescente onda propagandista de outros tantos canais de imprensa. Mais atrás ainda, em 71º, surge outro membro da EU, a Hungria de Viktor Orbàn, que em pouco difere do irmão Kaczynski.

Também a Turquia se apresenta num vergonhoso 155º lugar e o regime de Erdoğan – após o golpe de Estado falhado, ou encenação do dito – desistiu da Democracia e rendeu-se ao autoritarismo, sendo quem mais prende jornalistas em todo o mundo.

Em pleno ressurgimento da guerra fria, a Rússia de Putin manteve o seu lugar face ao ano passado, o que até seria bom sinal, não estivesse na 148a posição.

A liderar o ranking estão os países nórdicos, apesar de apresentarem já também algumas lacunas; a liderar a Noruega, a Suécia em 2º e a Finlândia em 3º.  Portugal está 18º lugar.

No lado oposto - setenta e dois países em cento e oitenta apresentam limitações muitos sérias quanto à Liberdade – está a Eritreia, 179ª - ocupava o último lugar desde 2007 – sendo agora o país com menor liberdade de imprensa a Coreia do Norte sob o regime de Kim Jong-un.

A Síria, cenário de uma guerra vergonhosa e quiçá símbolo máximo da guerra fria latente, está em 177º, sendo o país em que mais jornalistas morrem.

Como pode verificar, a Liberdade de imprensa está mais ameaçada que nunca, e até os condicionamentos levados a efeito pelas “fake-news” fortemente partilhadas nas redes sociais, põe em causa a realidade que existe e a realidade que quem lê pensa existir; um verdadeiro condicionamento do conhecimento.

Nota final para lembrar Yasser Murtaja.

Muito provavelmente nunca ouviu sequer o seu nome. Enquanto fazia a cobertura de protestos pacíficos, esta semana, na faixa de Gaza, entre a Palestina e Israel, Yasser, com 31 anos, foi ferido. Podia ser “só” mais uma vítima da guerra entre palestinianos e israelitas, o que por si só já era uma péssima notícia. No entanto, Yasser envergava um colete com a indicação de “PRESS” (imprensa) bem visível, o que não invalidou que fosse atingido com um tiro no abdómen tendo vindo a falecer. Mais seis jornalistas foram feridos.

Yasser ganhava a vida a vender fotografias tiradas com drone às agências noticiosas e o assunto ganhou tal relevo que o ministro da Defesa israelita, Avigdor Lieberman, veio mesmo a público reconhecer que a morte de Yasser foi intencional, acusando depois de ser membro do Hamas, sem apresentar provas desta acusação.

O New York Times dedicou-lhe um editorial seu. Nós, humildemente, dedicamos também o nosso.

 

 

Imagem de sputniknews.com

 

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