16 Outubro 2018      10:59

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A hipocrisia no mundo da política

Hoje todos expressamos as nossas doutas opiniões no universo das redes sociais, a propósito de temas do quotidiano. As reflexões sobre a realidade, próxima ou distante, inspiram-nos a dar conta do que pensamos, através das palavras e das imagens. Essa crescente “democratização”, como em tudo na vida, tem um lado positivo e um lado perverso. Nem sempre os comentários são baseados em factos ou notícias reais e surgem frequentemente relatos de episódios que, em muitos casos, nunca tiveram lugar.

Tendo em conta os sucessivos escândalos que têm abalado o sistema político nas últimas décadas, é muito frequente o conjunto de críticas dirigidas à classe em causa. Com mais ou menos razão, os argumentos utilizados roçam por vezes a mediocridade e não passam de meros ataques pessoais.

No entanto, se olharmos à nossa volta, percebemos que a revolta do cidadão comum em relação aos políticos em geral é originada por uma descredibilização da própria classe politica, que, em muitos casos, não honra os compromissos que lhes foram atribuídos pelos eleitores.

Os partidos funcionam como organismos em que só os militantes que lhes pertencem são válidos e merecem oportunidades. Quem está fora da sua esfera de influência, não conta.

Por outro lado, criam-se os chamados movimentos de cidadania e de independentes, mas que na realidade, de independência têm muito pouco. São os chamados “independentes camuflados”. Ao serem eleitos, em muitos casos, fazem o jogo dos que estão na cadeira do poder, em sentido antagónico em relação a tudo o que defendiam. Não servem, em muitos casos, de exemplo e acabam por se autodestruir.

Antes do período eleitoral, somos confrontados com discursos acesos e reivindicativos em relação ao poder instalado, seja a nível local, seja a nível nacional. Mas quando se verifica uma conjugação de circunstâncias e aqueles que eram críticos passam a fazer parte, de algum modo, da esfera do poder, as atitudes são completamente inversas em relação ao que apregoavam.

Poderá dizer-se: é a Democracia a funcionar!

Mas será ético renunciar a tudo o que se defendeu e se propôs, num curto espaço de tempo, quando se tem em mente algum objetivo pessoal? Onde estão os valores, a honestidade e os princípios morais?

Uns dias está-se com o “pé dentro” e noutros, com o “pé fora”. Talvez assim seja fácil “jogar neste xadrez”. É provável que seja também por essa constante mutação que a crença que deveríamos ter em quem nos representa se vai diluindo. São muitos os casos no panorama nacional.

Depois ficamos todos muito admirados quando surgem os líderes messiânicos com discursos inflamados, a quererem lutar contra o sistema instalado. São os próprios políticos, com a sua conduta muitas vezes condenável, que abrem espaço a estes novos protagonistas.

 
 
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