17 Março 2019      13:02

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Há finais felizes

The Straight Story (David Lynch – 2000)

Uma pergunta tão irracional quanto necessária: pode um final ser melhor que o de Straight Story? A resposta é não. Nem o final de um filme, nem o final de Straight Story (ordem desnatural e manifesta).

Dois rostos como dois poemas vindos do limiar da memória colectiva, reescritos centenas de vezes ao longo de milhares de anos. Olhares que se cruzam tenuemente, mas que se sustentam no que está para lá do reencontro, ou seja, na memória e na perturbação dessa memória. O diálogo minimal a dois tempos, distantes se não opostos:

Pela simples funcionalidade – “Lyle! Estás aí?”, e logo após, “Alvin – Senta-te.” /

Pela infinita (sublime) compreensão – “Vieste todo o caminho num corta-relva para me ver?”, "Sim, Lyle."

Depois a câmara que se eleva do dia solarengo para a noite estelar, elipse que numa primeira e fugaz mirada se pode prestar a equívocos de continuidade. Erradamente, claro, é apenas o equivalente (apostando no simbolismo contrário, da luz para o escuro para finalmente poder ver) ao esfregar de olhos que antecede a percepção da luz no escuro, o sortilégio da descoberta; o sol difunde, irradia, queima o olhar, e por isso mão permite ver pelo prisma da revelação. E a música (de Angelo Badalamenti), não centrífuga, não concentracionária, como se numa margem neutra em relação aos acontecimentos, a equilibrar perfeitamente…

É quando entra o genérico.

 

 

Imaem de film4productions.com

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