12 Outubro 2019      11:23

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A Geringonça Fantasma

Vamos ter uma legislatura completamente diferente da anterior: sem Geringonça, sem Geringonça 2.0, mas com uma Geringonça Fantasma. A culpa disto tudo foram os resultados das eleições legislativas do último domingo.

O Sr. primeiro-Ministro, Dr. António Costa, tem dito (e voltou a reforçar na noite eleitoral) que os portugueses gostam da Geringonça, que têm um grande carinho pela Geringonça, mas tenho sérias dúvidas que seja verdade. Ao contrário do que afirmou, a Geringonça teve menos votos. É verdade que o PS ganhou, é verdade que o PS aumentou a votação, mas também é verdade que a CDU e BE perderam deputados e/ou votos. Na globalidade a Geringonça teve menos votos do que em 2015.

Em termos práticos, o único dos 4 partidos (PS, BE, PCP e PEV) que beneficiou com a Geringonça foi o PS. Todos os seus parceiros perderam. No entanto, bem sei que lá vem o argumento de que “foram os portugueses que ganharam...”. Também sei que não é bem verdade! Isso levava-nos para o desinvestimento público, a degradação do sistema de saúde, as falhas de investimento e maior carga fiscal de sempre, falta de pessoal e descontentamento na educação, um sistema de justiça anquilosado, que funciona lento e é pouco democrático, a falta de reformas estruturais em diversas áreas (Segurança Social a liderar, etc), o interior e os territórios de baixa densidade cada vez mais frágeis...

Voltando ao assunto, em termos práticos existem todas as condições para a reedição de uma nova Geringonça. Só que os parceiros dos últimos anos não vão querer. Vão fingir que mantêm o interesse, que vão procurar “avanços”, mas bem sabemos que não querem, porque sabem que a Geringonça 2.0 lhes é eleitoralmente prejudicial e até pode ser fatal, sobretudo para o PCP.

Com a reedição da Geringonça, o BE e a CDU poderiam implementar grande parte do seu programa eleitoral. Poderiam fazer acordos com o PS para concretizaram grande parte com o que se comprometeram em termos eleitorais.

Mas todos sabemos que não querem. Todos sabemos que o nível de exigências é de tal ordem, que se torna impossível de concretizar.

O País não consegue comportar com o que se comprometeram em termos eleitorais. Ninguém vai reverter a Legislação Laboral, ninguém vai nacionalizar a GALP, EDP, REN, CTT, ninguém vai fazer os aumentos prometidos à administração pública, ninguém vai fazer chegar o Salário Mínimo Nacional aos 850€ ou 900€, ninguém vai concretizar os investimentos públicos comprometidos em campanha...

Então o que é que se vai passar? A Geringonça Fantasma não se vai comprometer com muita coisa: vai viabilizar a criação de um Governo PS; vai viabilizar os primeiros Orçamentos do Estado; vai viabilizar e até aprovar uma proposta ou outra do PS; mas lá chegará o tempo que voltarão àquilo a que estão habituados: partidos do contra.

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