11 Agosto 2016      18:14

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FRUTO DA DISPUTA COM O ALGARVE VAI TER FESTIVAL NO ALENTEJO

O medronho, fruto que tem merecido aceso debate entre o Algarve e o Baixo Alentejo, vai ter um festival em Saboia, Odemira. Falamos do 1º Festival do Medronho, incluído na FACES – Feira das Atividades Culturais e Económicas de Sabóia, um certame dedicado aos produtores e atividades associadas, que decorre entre 13 e 15 de Agosto.

Expositores, artesanato ao vivo, animação e degustação de produtos ligados ao medronho serão pontos fortes desta feira que conta com dezenas de expositores de várias atividades económicas.

A organização da FACES está a cargo da Associação Humanitária D. Ana Pacheco de Saboia e de inúmeras associações e entidades locais, além da população.

 

A DISPUTA DO MEDRONHO

A Associação dos Produtores de Aguardente de Medronho do Barlavento Algarvio (APAGARBE), com sede em Monchique, formalizou o pedido de registo de Medronho do Algarve como IGP - Indicação Geográfica Protegida e incluiu então na proposta 8 freguesias dos concelhos alentejanos de Almodôvar, Odemira e Ourique.

O caso deu azo a protestos que mobilizaram os autarcas alentejanos contra a pretensão da APAGARBE

Os Presidentes das Câmaras Municipais de Almodôvar, Odemira e Ourique acusaram na altura de “prepotente e abusiva” a tentativa da Associação dos Produtores de Aguardente de Medronho do Barlavento Algarvio de incluir o medronho produzido em oito freguesias destes concelhos de “Algarve”.

Em causa esteve o pedido de registo de Indicação Geográfica Protegida (IGP) da Associação dos Produtores de Aguardente de Medronho do Barlavento Algarvio junto da Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), tendo sido publicado para discussão pública pelo Aviso n.º 891/2015, publicado no D.R. 2ª série, n.º18, de 27 de Janeiro de 2015. 

Os autarcas afirmaram na altura que este processo nunca foi apresentado aos produtores, associações e autarcas alentejanos, “numa área de interesse da sua identidade cultural, social e económica”, sendo que esta designação “Condiciona decisivamente o processo em curso de dinamização da produção de aguardente de medronho no Alentejo, atualmente em curso.

“O fruto criado no Alentejo tem características diferentes, a aguardente é produzida de forma diferente e o produto final tem outro sabor e grau de álcool" sustentaram.

 “Tendo esta bebida tradição no Algarve, mas muito mais no Alentejo” acusaram a associação de “garantir quantidade de fruto suficiente para a produção dos seus Associados”, ou seja, “os produtores do Alentejo tratam e colhem o fruto” e “os produtores do Algarve produzem a bebida”. 

O caso acabou por esmorecer com um recuo da APAGARBE, forçada a retirar as freguesias alentejanas da sua pretensão.

Imagem de capa daqui.

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