11 Maio 2019      12:10

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Festival

Eram 3 dias de loucura que passariam a correr. Tudo começaria na sexta-feira ao final do dia e acabaria no domingo à noite, sensivelmente à mesma hora que tinha começado.

O grupo de amigos tinha comprado os bilhetes quase um ano antes, ainda sem saber quem faria parte do cartaz. Este ano, era um elenco de luxo e nenhum deles queria falhar. Escapar aquele festival de verão era pecado capital. Deixar de beber as cervejas, não dormir ao relento numa tenda de campismo, evitar tomar banho ao ar livre em duches improvisados ou mangueira e chegar ao fim com olheiras monumentais por não ter dormido os três dias, era impensável.

Assim fariam.

Lá foram, na camioneta da carreira para o meio do nada. Chegavam a uma paragem e daí, a pé em terra batida seriam mais uns 3 quilómetros. Isso não lhes fazia espécie. O amor à música era muito superior.

Com um palmo de língua fora, lá avistaram o palco maior ao fundo e todos sem excepção recuperaram o fôlego. Num portão improvisado para o efeito mostraram os bilhetes e receberam, cada um, uma pulseira que identificava a sua participação no festival.

Este ano, o calor não ajudava e as moscas acumulavam-se em redor dos participantes. Não que fossem apreciadoras de metal, rock, punk, funk, transe ou qualquer outro tipo de música, mas gostavam do que viam e, não sei se já repararam, os olhos das moscas são imensamente especiais.

Entre uns e outros, entre tabuletas e sinais, lá chegaram ao lugar onde podiam por a tenda.

Tinham 5 tendas e lá as enfiaram entre o pessoal de rastas a tocar jambé e os outros cujos cigarros enrolados à mão emanavam um cheiro que os deixava felizes sem saberem porquê. Talvez contágio por empatia. Estavam felizes e era o que interessava.

Nessa noite, comeram umas sanduíches que tinham trazido. Os dias seguintes não seriam muito diferentes. Ah, havia umas bifanas e, claro, cerveja com fartura.

O primeiro dia foi espetacular. Do melhor. O desempenho das bandas deixou tudo de boca aberta. E a vibrar com o som. O segundo dia ainda superou o primeiro. Tinha sido para aquilo que compraram bilhete! Brutal!

O terceiro dia não foi tão bom mas também não interessava porque aquele era o dia do regresso e muitos tinham já feito as malas. Eles optaram por ficar mais um dia e abalar no dia seguinte pela manhã, na primeira carreira.

Memórias muitas e cansaço ainda mais. Olheiras de meia noite e um sorriso empoleirado estampado no rosto! Tinha valido a pena. Era altura de dormir uma semana e comprar os bilhetes para o ano, logo a seguir. Assim era o festival, assim era a tradição.

 

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