30 Novembro 2019      11:36

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Évora tem de ser uma Cidade “Inteligente”

Quando habitualmente falamos em cidades “inteligentes”, internacionalmente denominadas smart cities, é vulgar pensarmos em cidades muito desenvolvidas tecnologicamente. Pensar isso, não me parece nada correto. A tecnologia é meramente instrumental para tornar as cidades mais operacionais, quer seja numa grande metrópole, quer seja numa cidade de menor dimensão.

Quando olhamos para uma cidade como Évora, classificada como Património da Humanidade pela UNESCO, parece-me interessante incorporarmos a tecnologia e a modernidade nos seus elementos mais identitários e funcionais. Não há que ter receio!

O uso inteligente das novas tecnologias no acesso aos serviços públicos, nos planos de gestão da habitação, no acesso ao património edificado e gestão de recursos naturais, na mobilidade urbana, na eficiência energética, nos métodos de participação dos cidadãos, entre outros, parece-me fundamental.

Évora pela sua dimensão, mas sobretudo pelas suas características, deveria ser uma cidade líder nestas matérias.

Mesmo nas áreas mais tradicionais, como a distribuição de água, a iluminação e a energia, a eliminação e tratamento de resíduos, a construção e urbanismo, o abastecimento de alimentos, a organização dos transportes, etc, requerem um apoio significativo das tecnologias. Essa opção ajuda a estimular a gestão muito mais eficiente.

Em Évora há muito por fazer nestas matérias!

É claro que é verdade que há muito marketing na temática das smart cities, as tais cidades inteligentes. E também é claro que existem muitos negócios em torno da venda de tecnologia aos governos municipais. Ainda assim, acredito que tornar as cidades mais humanas e mais democráticas, permitindo a possibilidade de interação do cidadão com o governo local e de com essa interação promover a melhoria da qualidade de resposta das políticas públicas às pessoas, trará, sem dúvida, um avanço civilizacional muito significativo. Não se pode desperdiçar!

Nesta ligação/interação entre o cidadão e o município ainda existe um processo muito significativo por desenvolver em Évora. O simples acto do cidadão poder ser permanentemente interativo, pode ser decisivo para melhorar a qualidade de vida das pessoas, mas, também, para melhorar a participação cívica das pessoas, logo melhorar o sistema democrático. Não há que ter medo!

Melhorar a participação, melhorar a gestão, melhorar a qualidade de vida das pessoas, são matérias fundamentais para o desenvolvimento da cidade e concelho de Évora.

Mas não podemos esquecer quem nos visita. A nossa economia necessita fortemente de quem vem para cá investir, mas também dos turistas que por cá passam.

Criar mecanismos para ajudar os investidores parece-me essencial! Se um empresário quiser investir em Évora, tem poucos instrumentos para conhecer melhor o meio, onde investir, como investir, quanto custa, quais os instrumentos de apoio, etc.

Évora é muito pouca atrativa nestes aspectos. Hoje em dia existem ferramentas muito importantes que ajudam os investidores a fazer as suas opções de forma mais ajustada. As autarquias têm de ser arrojadas e competitivas nestas áreas. De outra forma, é um desperdício não o fazer!

Na captação de visitantes é muito semelhante. Hoje em dia não é suficiente ter um site interessante e simpático. O marketing digital utiliza formas mais interativas e pró-activas capazes de ajudar a captar novos visitantes, e se possível, fidelizá-los.

Deixo alguns exemplos onde as tecnologias poderiam ajudar Évora:

1 - Criação de uma APP para turistas.

Évora é uma cidade a quem associamos naturalmente a história, a arte, a cultura, o património, a gastronomia, a tradição e uma forte identidade local.  A classificação Património Mundial da UNESCO dá a garantia de que todos estes elementos obtêm um significado redobrado.

A criação de um simples aplicativo (em vários idiomas) desenvolvido para download para Android e iPhone, ajudaria certamente a fornecer informações relevantes sobre o património da cidade, horários e custos de acesso aos vários monumentos, assim como, recomendações para a realização de percursos e passeios, e outro tipo de informações adicionais.

2 - O centro histórico da cidade de Évora ficaria certamente mais inteligente com a instalação de uma ferramenta de gestão avançada, composta por uma rede de sensores que permitiria uma melhor gestão energética dos edifícios, bem como o controlo e a gestão do fluxo de visitantes. Já existe uma iniciativa desta natureza em Ávila (Espanha) que foi desenvolvida pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

3 - Criação de uma plataforma para incentivar o desenvolvimento de projetos de habitação social e gestão de projetos de estímulo ao mercado de arrendamento, sobretudo no Centro Histórico de Évora. Considerando as necessidades de habitação em Évora e à procura existente, um aplicativo desta natureza ajudaria certamente a acelerar o processo de ajustamento entre oferta e procura, incentivaria a regeneração urbana, e obrigaria a autarquia a ser mais eficaz nos processos de licenciamento urbano.

4 - Desenvolver um projeto urbano de infraestrutura verde em parceria com a Universidade de Évora, nomeadamente com o curso de arquitectura paisagista. Na prática, seria desenvolver um projecto capaz de articular a conservação da natureza ao desenvolvimento urbano a partir da criação de uma rede de paisagens multifuncionais para o espaço público. Resumindo, criação de espaços naturais em espaços urbanos.

Este tipo de projectos permitem evidenciar as potencialidades e limitações das paisagens, adaptando as estruturas ao ciclo hidrológico por meio de soluções baseadas na natureza como jardins de chuva, canteiros pluviais e alagados. São ideias utilizadas em várias cidades, sobretudo nas mais modernas. Aqui seria adaptar a uma cidade histórica.

São alguns exemplos em que a tecnologia e a tradição podem caminhar lado a lado, em que os espaços não são imutáveis e as sociedades são, cada vez mais, mais exigentes.

Estas matérias poderiam ser altamente incentivadoras do desenvolvimento projetos por parte daqueles que participam nas incubadoras de base tecnológica, no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia, na Universidade de Évora e nos Politécnicos da Região, e noutras entidades do Sistema Científico e Tecnológico Regional. Seria uma forma de aproveitar os conhecimentos existentes, mas também, aproveitar a abundância de fundos comunitários para estas áreas.

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