16 Setembro 2020      09:22

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Estudo de Évora propõe ideias ao Governo para a conservação da biodiversidade

A diretora do Fundo Ambiental e a reitora da Universidade de Évora assinaram, no Ministério do Ambiente, o protocolo de cooperação para a realização do estudo “Biodiversidade 2030: contributos para a abordagem portuguesa para o período pós-metas de Aichi”, avança a Renascença.

Miguel Araújo, professor da Universidade de Évora e coordenador deste novo estudo, espera que este projeto esteja pronto daqui a dois anos, e que seja uma “ponta de lança” para propor novas iniciativas que ajudem na adoção de políticas nacionais na área da conservação da biodiversidade.

“Nas últimas décadas foi o parente pobre das políticas de Ambiente, teve pouca atenção. Nos últimos anos tem um bocadinho mais, mas há muito a fazer”, alerta o responsável. Miguel Araújo reconhece ainda que a equipa (constituída por professores de diversas universidades do país) está cheia de ideias, dando um exemplo: “toda a gente fala em biodiversidade e alterações climáticas, mas surpreendentemente, não há um país no mundo que tenha uma política de biodiversidade adaptada às alterações climáticas. Se conseguirmos levar as nossas ideias a bom porto, Portugal poderá ser o primeiro a avançar com medidas concretas nesta área”.

Uma outra ideia revelada pelo responsável é a remuneração dos serviços dos ecossistemas: “hoje em dia estragar a biodiversidade é muito barato”. Assim, Miguel Araújo propõe que se torne bem mais caro: “terá duas consequências: ou deixam de o fazer ou têm que pagar por isso. Se pagarem, esse dinheiro pode servir para remunerar/recompensar quem preserva e cria biodiversidade, nomeadamente alguns agricultores que usam práticas agrícolas sustentáveis ou quem faz uma exploração florestal sustentável”.

Miguel Araújo revela também que “há um conflito entre a necessidade de nos alimentarmos (e comemos cada vez mais) e a preservação da biodiversidade. É preciso encontrar um equilíbrio e por isso grande parte das ações que pensaremos em termos de remuneração dos serviços dos ecossistemas estarão alinhadas para a intervenção no sector da alimentação”.

No entanto, o coordenador admite que não são ideias completamente inovadoras. Já existem algumas experiências realizadas na Austrália, África do Sul e Finlândia e a sua adoção a Portugal, e mesmo à Europa, terá de ser reequacionada.

O estudo divide-se em cinco eixos fundamentais: Biodiversidade e Clima; Biodiversidade e Território; Biodiversidade e Áreas Interiores; Biodiversidade e Oceanos e Biodiversidade e Pessoas.

Já o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, reconhece que antes houve outras prioridades na política ambiental, mas agora, alguma coisa está a ser feita. O governante mostra-se confiante que, com este estudo, será possível mostrar que o país, “na sua fecundada diversidade, não tem um metro quadrado de território a mais. Todo o território tem que ter um projeto e vai tê-lo”.

O quadro de efetivos do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) foi reforçado com mais vigilantes e meios. Por outro lado, este ano começaram a ser feitos os pagamentos dos serviços dos ecossistemas. Segundo o Ministro, catorze projetos na Serra do Açor e Parque Natural do Tejo Internacional receberam 3,4 milhões de euros.

O Ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, alerta que “vemos o lixo de uma sociedade de desperdício acumular-se em linhas flutuantes e entrar na dieta alimentar de muitos organismos e os recursos a diminuírem”. Além disso, em cinco séculos a população mundial aumentou 14 vezes, e três quartos da superfície terrestre não gelada foi alterada pela atividade humana. O planeta está sobrepovoado e a biomassa de apenas uma das espécies – o Homem – é vinte vezes superior à de todos os mamíferos selvagens, realçou o ministro do Mar.

“Não é o estigma da pandemia que nos fará baixar os braços. Aliás, deve incentivar-nos ainda mais”, defendeu Ricardo Serrão Santos.

 

Fotografia de Lusa

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