27 Abril 2016      15:03

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ESTARÁ ESGOTADO O PARADIGMA CAPITALISTA?

Nos meados do século XIX, Karl Marx previu uma pesada herança do capitalismo para a humanidade: a destruição da natureza e do trabalho.
 
Efetivamente, o planeta encontra-se sob uma enorme pressão, originada pela sobre-exploração excessiva dos seus recursos. O que, desde logo, arrasa com o seu delicado equilíbrio ao ponto de não ser possível repor o que lhe foi usurpado. Talvez por isso, no último século, temos assistido a um aumento de eventos extremos e a mudanças climáticas, verificáveis em todas as regiões do globo, que se traduzem num aparente aumento do aquecimento global. E, se pensarmos em termos globais, o modelo de sociedade dita ocidental acercou-se dos limites do planeta, se é que não os terá já ultrapassado. Perante este limite intransponível, como é que o capitalismo se vai reproduzir sem a natureza?
 
Também, o trabalho está a ser, cada vez mais, precarizado ou prescindido pelo próprio sistema capitalista, ao ponto de existir um enorme desenvolvimento sem trabalho. Refiro-me, fundamentalmente, ao aparelho produtivo informatizado e robotizado que produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho, tendo como consequência direta o desemprego estrutural.
 
Bem sei que os problemas do capitalismo moderno devem ser estudados como problemas e não podem ser reduzidos aos conceitos e reflexões de um único pensador. Mas, será que as pressões internas a que o capitalismo se tem sujeitado não são consequência direta do seu próprio desenvolvimento? Tendo como derradeiro resultado uma série de crises recorrentes cada vez mais profundas?
 
Sacrifica-se toda uma sociedade em nome da economia, não para atender às exigências humanas mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. E, neste particular, Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina. Talvez por isso, Marx tenha afirmado que, sob determinadas circunstâncias, a desintegração do capitalismo levaria os homens e mulheres a varrê-lo para longe por livre e espontânea vontade.
 
De qualquer modo, parece-me evidente que não se pode resolver a questão económica desmontando a sociedade. Contudo, não deveremos aceitar a lógica perversa da economia política capitalista, da ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses, desencadeando graves crises humanitárias que na sua génese são geradas pelo capitalismo.
 
Enfim, acreditar que o capitalismo pode ser a fonte de um futuro melhor não implica que ele exista com essa finalidade. Nem o Socialismo deriva daí.
 
A crise do capitalismo é mais do que conjuntural e estrutural e, eventualmente, o seu fracasso ficará associado a uma rara e inesperada combinação de circunstâncias em que a ignorância do povo desempenhará um papel central.
 
Imagem de capa a partir daqui.
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