O Industrial Portugal Gateway (IPG), um cluster de defesa promovido pela Luso Defense Group, uma empresa fundada há um ano em Portalegre, vai ser apresentado oficialmente no dia 25 de setembro. Esta plataforma nasce com o objetivo de centralizar e simplificar o processo de fixação e crescimento de empresas ligadas à defesa, segurança, tecnologias de dupla utilização (civil e militar) e produção industrial avançada em território nacional.
Atuando como um balcão e interlocutor único, o IPG propõe-se a eliminar a burocracia e a fragmentação que frequentemente atrasam os investimentos estratégicos. A plataforma pretende coordenar todas as etapas de implementação dos projetos industriais, oferecendo apoio integrado que vai desde a escolha e preparação dos terrenos até ao licenciamento, engenharia, construção, contratação de recursos humanos e identificação de fornecedores.
Na vertente financeira, embora o IPG não atribua fundos diretamente nem garanta a aprovação de subsídios públicos, prestará assessoria na identificação e candidatura a incentivos nacionais e europeus. O modelo de negócio do cluster prevê remunerações baseadas em taxas de coordenação, prémios de sucesso ou eventuais participações minoritárias nos projetos instalados.
O ponto de partida desta estratégia será em Portalegre, classificada como a primeira “zona de aterragem industrial” do projeto. A escolha da região justifica-se pela elevada disponibilidade de espaço para expansão, proximidade à fronteira com Espanha e ao eixo de Badajoz, além do forte impacto socioeconómico que poderá gerar localmente através da criação de postos de trabalho. O Núcleo Empresarial da Região de Portalegre (NERPOR) assumirá o papel de base operacional e parceiro local, articulando esforços com entidades públicas e privadas. Contudo, o IPG sublinha que a sua atuação não se esgota no Alto Alentejo, estando disponível para avaliar e encaminhar investimentos para outras regiões do país, consoante as especificidades de cada negócio.
O foco tecnológico do cluster abrange setores de ponta altamente estratégicos, com especial destaque para sistemas de defesa aérea e anti-drone, robótica, veículos autónomos, aeroespacial, sensores, cibersegurança, comunicações encriptadas e proteção de infraestruturas críticas. A par da vertente puramente militar e do fabrico de componentes essenciais para cadeias de abastecimento globais, o IPG dará grande relevância às tecnologias de uso duplo, capazes de servir simultaneamente os mercados civil e de defesa. A sessão de lançamento de setembro servirá igualmente para anunciar a Iberian Defense Expo 2027, uma feira do setor que decorrerá em Portalegre dentro de um ano, focada em conferências, demonstrações de tecnologia e encontros de negócio bilaterais com governos e empresas.
