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Docapesca investe 1,2 milhões na fábrica de gelo do Porto de Pesca de Sines

A Docapesca lançou concurso público para a reabilitação integral da Fábrica de Gelo do Porto de Pesca de Sines, num investimento com preço-base de 1,2 milhões de euros acrescido de IVA, com um prazo máximo de execução de 180 dias. Do total do investimento, 960.000 euros destinam-se a máquinas para a indústria alimentar e 240.000 euros a infraestruturas e obras de construção civil. A fábrica manterá o funcionamento durante os trabalhos. O coração técnico da intervenção é a substituição dos actuais geradores de gelo — que utilizam gases fluorados, potentes gases de efeito estufa em progressiva eliminação pela regulamentação europeia — por quatro novos equipamentos a amoníaco (R717), refrigerante natural sem impacto na camada de ozono e com potencial de aquecimento global praticamente nulo. O projecto prevê ainda nova câmara frigorífica, automação e um sistema de gestão automatizado, garantindo a produção e a segurança na utilização do amoníaco.

A obra inclui critérios de contratação pública ecológica destinados a reduzir os impactos ambientais da intervenção, nomeadamente a utilização de materiais reciclados ou reutilizados, enquadrando-se na categoria de compra pública estratégica de redução de impactos ambientais. A água utilizada para a produção de gelo provirá da rede portuária e cumprirá as normas de qualidade da Organização Mundial de Saúde, garantia essencial para a segurança alimentar do pescado. A intervenção insere-se numa sequência de investimentos da Docapesca no porto sinense: em junho de 2026, a empresa havia já lançado um concurso de 115.000 euros para modernizar a nave do cerco do edifício da lota, com substituição de portões e instalação de cortinas de lamelas em PVC para isolamento térmico e sanitário.

A fábrica de gelo é uma infraestrutura crítica para qualquer porto de pesca: sem gelo em quantidade e qualidade suficientes, o pescado descarregado não pode ser conservado adequadamente, comprometendo a sua comercialização, o seu valor e a segurança alimentar dos consumidores. Para os pescadores do litoral alentejano, a modernização desta fábrica é uma condição essencial de competitividade e de qualidade do produto que levam à lota. O investimento é também um sinal de que o Sines do futuro — polo energético, logístico e industrial em acelerada transformação — não esquece o Sines de sempre: o porto que vive do mar.

Imagem de Vitor Oliveira

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