28 Setembro 2018      17:56

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Do sentido ao sem-sentido

O ano letivo começou dentro de uma normalidade possível. A luta dos professores continua sem que se preveja o seu desfecho. Com o extremar das posições é certo que o agudizar da luta se irá manter.

A maioria das escolas abriu, com os professores colocados, mas, ainda assim ,com algumas lacunas que entravam o bom funcionamento dos estabelecimentos de ensino.

Se temos direito a que se contabilizem os 9 anos em que a carreira esteve congelada? Claro que sim, se não para que estivemos a trabalhar.

Por acaso não contaram estes 9 anos para a progressão escolar das nossas crianças e jovens? Se tal aconteceu foi porque os professores estiveram a exercer as suas funções. Num cenário hipotético imaginem, que estes 9 anos também não eram contados no percurso académico dos alunos.

Sei que não somos mais nem menos que as outras classes profissionais, mas, o que quero para mim também se aplica aos outros: reconhecimento, diretos e dignidade. Nove anos é muito tempo para ser esquecido. Sei que o dinheiro não abunda, mas, também, ninguém pede retroativos, apenas se pede que não se apaguem anos de serviço à comunidade.

Na primeira semana de outubro voltam as paralisações. Enquanto arma, a greve não pode ser banalizada e os nossos sindicatos não estão a ter isto em conta. Sei que a razão está do nosso lado, mas, voltar às greves, neste momento, apenas vai prejudicar quem a fizer.

Não sendo a nossa liberdade pessoal apenas um produto das culturas vividas, mas uma serie de limitações que vão restringindo uma existência possível, passemos para a nossa luta os conteúdos essenciais das vivências com a maior integridade possível.

Tentemo-nos pôr no lugar do outro e, assim pensá-lo. Para além de ser um exercício difícil confere-nos um maior entendimento das realidades, e estas, muito dificilmente, encontram questionamentos nas atuais lutas sindicais. A ética é algo que se tem vindo a esbater.

O entendimento do que nos é exterior é difícil, mas, é ele que nos vai permitindo compreensões com suportes consistentes.

A difícil arte de pensar politica em conjunto com a vontade de pensar livre faz com que nem sempre subscreva, algumas posições retóricas e, por vezes, demasiado radicais. Este sentido (ou sem-sentido) de alguns valores defendidos, até à exaustão, mais não fazem do que extremar posições e inviabilizar entendimentos.

A conflitualidade eterniza-se e as politicas tornam-se demasiado débeis prejudicando liberdades que todos desejamos manter e enraizar.

 

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