2 Março 2021      15:52

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Deputados do PS querem proteger o Barranquenho

Pedro do Carmo, deputado socialista do Baixo Alentejo

O Partido Socialista quer que o Barranquenho seja protegido e valorizado como "expressão da diversidade cultural de Portugal, marca da identidade de uma comunidade", defendem os deputados eleitos pelo PS do Baixo Alentejo.

O projeto de lei, impulsionado e subscrito pelos Deputados Pedro do Carmo e Telma Guerreiro, entre outros membros da Assembleia da República, sustenta que o Estado Português deve reconhecer o direito a cultivar e promover o Barranquenho, enquanto património cultural imaterial, instrumento de comunicação e de reforço de identidade da população de Barrancos, reconhecendo ainda o direito à aprendizagem do Barranquenho, nos termos a regulamentar, em articulação com a autarquia local e o agrupamento de escolas.

O Barranquenho, uma língua híbrida, ainda que sem tradição escrita, única no mundo pelo seu carácter misto de português e espanhol, falado pelos cerca de 1300 residentes e por todos os naturais do Concelho há vários séculos, constitui, pois, um lugar de encontro de culturas peninsulares. Guarda um resquício da literatura oral peninsular e, provavelmente, o último vestígio das origens da cultura musical procedente da zona nordeste portuguesa, entre muitas outras especificidades, relacionadas com as tradições orais, musicais, culturais, costumes, culinária, artesanato, formas de fazer…

“A vitalidade que o Barranquenho evidencia não permite, contudo, afastar todas as ameaças que pairam sobre a sua subsistência. Em primeiro lugar, e como resulta da abordagem adotada pela UNESCO na avaliação da matéria, qualquer língua falada por menos de 5000 pessoas tende a considerar-se ameaçada, pelo que a evolução dos atuais números de falantes do Barranquenho é um primeiro motivo de preocupação.

A esta realidade acresce o facto de o envelhecimento dos falantes e o desaparecimento da geração mais velha poderem traduzir-se na perda irreparável deste património linguístico caso se verifique uma ausência da adoção de medidas.

Finalmente, neste contexto, o menor isolamento físico do território que o desenvolvimento da região e dos meios de comunicação e transporte acarretou, bem como a presença intensa do Português como língua da administração, da escola, dos meios de comunicação e das terras vizinhas, podem contribuir igualmente para um risco de assimilação pela língua oficial.”, concluem.

 

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