Tribuna Alentejo
Ambiente

Como Évora e Beja estão a combater o calor com mudanças na paisagem urbana

Évora e Beja lideram a transformação urbana no Alentejo através de um projeto-piloto nacional desenhado para reverter o efeito das ilhas de calor e baixar as temperaturas extremas no verão. A estratégia assenta na reconversão de pavimentos áridos, plantação massiva de árvores e instalação de sistemas inovadores de arrefecimento natural por água.
As intervenções estruturais nas duas cidades alentejanas vão muito além da jardinagem tradicional, consistindo em engenharia urbana focada na resiliência climática para reter a humidade e bloquear a radiação solar direta. Uma das principais frentes de obra foca-se na substituição do asfalto escuro e dos pavimentos cimentados por pisos permeáveis de cores claras, que refletem a radiação solar e evitam a acumulação de calor no solo. Em paralelo, decorre a plantação estruturada de árvores de copa densa e espécies autóctones, selecionadas especificamente por necessitarem de pouca água e por garantirem a criação imediata de vastas zonas de sombra natural. Para maximizar o arrefecimento por evaporação, os projetos integram a instalação de espelhos de água dinâmicos, fontes decorativas, pulverizadores urbanos e pequenas bacias de retenção que ajudam a humedecer o ar circundante. Estas medidas são interligadas através de redes de conforto climático, que consistem em corredores pedonais sombreados por toldos térmicos e vegetação vertical, permitindo a circulação segura dos cidadãos entre as áreas residenciais e os novos refúgios climáticos da cidade.
Em Évora, os trabalhos de requalificação do Rossio de São Brás já arrancaram e representam a intervenção mais avançada do programa, com um orçamento de 4,1 milhões de euros assegurado pelo Plano de Recuperação e Resiliência. O antigo espaço descampado, historicamente exposto ao sol e responsável por acumular níveis críticos de calor, está a ser transformado num grande pulmão verde multifuncional preparado para acolher a abertura da Capital Europeia da Cultura 2027. O avanço rápido destas obras obrigou a autarquia a reestruturar eventos locais importantes, como a Feira de São João, cujos concertos principais foram transferidos para o Jardim Público de forma a manter os prazos de execução intocáveis. O presidente da Câmara Municipal, Carlos Zorrinho, reforçou a urgência dos trabalhos, que têm como meta a conclusão da primeira fase até agosto para garantir o cumprimento dos prazos europeus de financiamento.
Já em Beja, a abordagem foi desenhada à escala dos bairros, focando-se na criação de micro-oásis urbanos e caminhos sombreados distribuídos por pontos críticos da cidade, especialmente junto a habitações e infraestruturas sociais. O município delineou uma rede de percursos urbanos frescos equipados com pontos de água potável gratuita e áreas de descanso protegidas do sol, visando mitigar o impacto do calor extremo na saúde de franjas mais vulneráveis da população, como idosos e crianças, com um horizonte de conclusão previsto até 2027.

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