Tribuna Alentejo
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Chineses da Chint Solar entram em força no Alentejo com mais de 2,1 milhões de painéis solares

O Alentejo consolida-se como o coração da transição energética portuguesa com o avanço dos novos projetos híbridos da Chint Solar nos concelhos de Vidigueira e Portel. Este investimento, focado nas centrais de São Gião, Tapada Grande e Monte Santos, soma mais de 1,2 gigawatts de potência e integra um pipeline global de 6,6 gigawatts no país. A infraestrutura prevê a instalação de mais de 2,1 milhões de painéis solares, aerogeradores eólicos e sistemas de baterias de grande capacidade para injetar na rede 1.868 gigawatts-hora por ano, o suficiente para abastecer 460 mil lares e estabilizar o sistema elétrico nacional através do armazenamento de energia.
Do ponto de vista económico, este pipeline massivo terá um impacto estrutural profundo na região alentejana através de três eixos principais que transformam o tecido produtivo local. O primeiro destaca-se pela atração de Investimento Direto Estrangeiro, uma vez que o modelo de acordos diretos com a REN e a E-Redes obriga a multinacional chinesa a financiar do próprio bolso a ligação de mais de 3,8 gigawatts aprovados à rede elétrica nacional. Isto liberta o Estado de encargos financeiros e canaliza milhões de euros de capital estrangeiro diretamente para o desenvolvimento de infraestruturas na região.
O segundo eixo reflete-se na forte dinâmica de emprego e na economia local, pois a instalação de milhões de painéis e baterias gerará milhares de postos de trabalho na fase de construção e empregos técnicos permanentes na fase de operação, além de estimular indiretamente o comércio, a hotelaria e a restauração locais. Por fim, o terceiro impacto reside no reforço das receitas municipais e na coesão territorial, visto que concelhos como Vidigueira, Portel, Castro Verde, Viana do Alentejo, Mértola e Serpa vão beneficiar do encaixe financeiro de impostos como o IMI e a Derrama.
O modelo de acordos diretos com a REN (Rede Elétrica Nacional) é um mecanismo jurídico e técnico que permite aos promotores privados ligar novas centrais de energia renovável à rede de transporte de eletricidade. Este regime é fundamental para compreender a dimensão do investimento da Chint Solar no Alentejo, funcionando através de financiamento total pelo promotor privado já que, ao contrário do que acontece com os projetos que ganham os leilões públicos de energia solar — onde o Estado ou o sistema elétrico nacional apoiam e garantem a infraestrutura de rede —, nos acordos diretos o custo da ligação é pago inteiramente pelo investidor. A Chint Solar assume do próprio bolso o investimento em subestações elétricas, linhas de alta ou muito alta tensão e todos os equipamentos de proteção necessários para injetar a energia na rede nacional.
Para avançar, o promotor privado celebra um contrato de concessão de capacidade de receção diretamente com a REN e a DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia). O investidor identifica um ponto na rede elétrica com viabilidade técnica para receber a energia e reserva essa capacidade, garantindo que a rede tem condições físicas para transportar a eletricidade produzida pela central fotovoltaica ou eólica sem causar sobrecargas no sistema nacional.
Os projetos desenvolvidos ao abrigo de acordos diretos não beneficiam de tarifas subsidiadas pelo Estado (as chamadas tarifas garantidas). Toda a energia produzida pelos mais de dois milhões de painéis e aerogeradores da Chint Solar será vendida diretamente no mercado ibérico de eletricidade (OMIE) ao preço diário de mercado, ou através de contratos bilaterais de longo prazo com grandes consumidores, conhecidos como PPAs (Power Purchase Agreements).
Como a ligação à rede em alta tensão é muito dispendiosa, os promotores utilizam o modelo de acordos diretos para maximizar a rentabilidade do ponto de ligação através da hibridização. É por esta razão que os projetos da Vidigueira e Portel incluem energia solar, eólica e baterias no mesmo local: o investidor paga apenas um ponto de ligação à rede da REN e utiliza as baterias para armazenar o excesso de energia nas horas de muito sol, injetando-a mais tarde quando a rede tiver espaço livre e os preços de mercado forem mais atrativos.

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