22 Março 2020      10:35

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Canções de quarentena a partir de uma cave no Alentejo

É sobretudo uma limpeza de alma ou se quisermos, uma catarse de canções perante uma audiência virtual, uma vez que não presenciamos nem o sentimento nem e a emoção das pessoas à nossa frente que torna este mini concerto uma toada desconcertante. Acho que a maioria dos músicos que o está a fazer ou já o fez, está na realidade a aprender a lidar com essa "dor" de estar sozinho num palco em que a plateia está vazia.

Trata-se de uma ideia em trazer à minha condição de interprete, uma mão cheia de canções que durante 30/40min serão partilhadas com os meus seguidores, primeiro no Instagram e mais tarde, provavelmente na sexta-feira, no facebook. Um ou outro original, a maior parte, versões de outros autores e compositores farão a estrutura do breve concerto. Não havendo nenhuma racionalidade sem ser a do coração para a escolha das canções, todas elas partiram de escolhas essencialmente emotivas, muitas enquadradas na situação actual. Existe apenas uma condição que impus a mim próprio. Só cantarei em línguas latinas.

Para além da maior parte dos registos serem naturalmente em português, haverá uma outra situação em que poderão surgir temas em italiano ou espanhol. É uma maneira de muitas pessoas ouvirem coisas que, provavelmente não associam à minha sonoridade e que eventualmente as poderá levar a descobrir coisas que já fiz há um tempo atrás. Tenho um fascínio enorme pela música italiana e vou aproveitar cantar algumas coisas e saudar alguns dos meus amigos em Itália que atravessam deveras uma situação delicada.

"Na Cave do Roque", surge essencialmente porque o local existe na realidade e, é nessa cave, em minha casa, que componho, escrevo e gravo muitas das bases do meu trabalho musical. É na prática um bunker de isolamento musical que agora decidi abrir ao mundo.

Não deixa de ser curioso uma cave passar a ter essa função, de abrir portas a todos aqueles que, através da música, dos poemas, se cruzam e unem nas nossas vidas. A música é partilha, união e eu diria, essencial nestes momentos. Talvez por isso os grandes filmes têm sempre grandes bandas sonoras.

Estão por isso todos convidados a seguir o meu canal de Instagram através de jorgeroquemusic e depois, na minha página oficial de facebook, mas até lá darei notícias.

Quem sabe algumas destas canções não possam, eventualmente e depois da tempestade, transformar-se na bonança de um disco.

Mas até lá, é mesmo para ver a reacção de alguns amigos, de seguidores e de aproveitar as palavras e as notas de cada tema, com estas canções de quarentena.

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Jorge Roque nasceu no Alentejo, em Portel.

Estudou em Évora até 1995, altura em que entrou para a Faculdade de Belas Artes onde se licenciou em Design de Equipamento no ano de 2001. Com passagens profissionais pelo Porto e por Itália, regressou às origens em 2005.

No ano de 2009 frequentou o curso de Arquitectura na Universidade de Évora, mas a música evidenciou-se sempre como a grande paixão da sua vida.

Com um vasto percurso no panorama da música nacional, integrou vários projectos musicais os quais, desde os 10 anos de idade o levaram a inúmeros palcos nacional e internacionalmente, dando a conhecer, não só a sua faceta interpretativa, através do seu magnifico instrumento vocal, mas também e mais recentemente, as suas autorias e composições enquanto músico.

O Cante Alentejano, o Fado e mais tarde o Pop e o Rock, levaram-no à televisão onde em 2010 se sagrou vencedor da última edição do programa televisivo da RTP 1, Operação Triunfo.

Jorge Roque frequentou em 2011 a prestigiada escola internacional de música, Berklee College of Music, em Boston onde estudou e aproveitou para enriquecer o seu conhecimento musical.

Em 2013 editou o seu primeiro álbum de originais, intitulado “Às Vezes”, com autoria de textos e músicas em nome próprio.

Considera-se sobretudo um cantor e foi justamente a partir dessa auto avaliação que, fundou em 2015 o projecto Monda, conseguindo toda a atenção do público português na edição do seu primeiro disco homónimo, o qual contou com a produção do pianista Ruben Alves e as participações de Katia Guerreiro e Rui Veloso.

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