5 Agosto 2020      11:36

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Câmara de Castro Verde exige verbas para apoiar estragos do incêndio

A Câmara Municipal de Castro Verde sustentou, esta terça-feira, a utilização de verbas provenientes do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020 para apoiar os agricultores penalizados pelo incêndio de 13 de julho.

José da Luz Pereira, presidente da Associação de Agricultores do Campo Branco (AACB), com sede em Castro Verde, indicou à Lusa que o incêndio provocou “enorme transtorno financeiro” às explorações agropecuárias afetadas. “Foi um incêndio que deixou muitos prejuízos. Arderam muitas pastagens e agora os produtores têm de procurar alternativas para alimentar o gado. Ou levam o gado para outro lado ou, se não tiverem, têm de comprar pastagem”, referiu.

O município de Castro Verde, juntamente com os contributos da AACB e da Liga para a Proteção da Natureza (LPN), elaborou um relatório com a contabilização dos estragos materiais causados pelo incêndio, e já foi apresentado ao Ministério da Agricultura.

António José Brito, presidente da câmara, revela que as chamas devastaram 2.433 hectares em 13 explorações agropecuárias no concelho, afetando, maioritariamente, pastagens e restolho, destruindo mais de mil fardos de palha, além de palha por enfardar e vedações.

Neste relatório, a autarquia realça a atividade agrícola “amiga do ambiente” da zona do Campo Branco, que abrange os concelhos de Castro Verde e Almodôvar e parte dos de Aljustrel, Mértola e Ourique, referindo que ficou “penalizada no seu rendimento quando comparada com outras regiões do país”.

Assim, e “não obstante os apoios existentes, a ocorrência de eventos como o de dia 13 de julho atinge fortemente o ténue equilíbrio económico das explorações”, lê-se no documento a que a Lusa teve acesso. A Câmara de Castro Verde defende, então, “ser necessário olhar com atenção para a realidade atual destes agricultores, procurando, através dos mecanismos já existentes, ou a criar, apoiar na minimização da situação adversa em que atualmente se encontram, nomeadamente através do PDR 2020 – Medidas 3, 6 e 7”.

Para o autarca, “a concretização destes apoios potenciaria, igualmente, um ambiente propício a uma mais rápida recuperação do potencial produtivo agora perdido, assim como para um mais rápido recobro do potencial turístico associado à prática agrícola amiga do ambiente”.

Recorde-se que o incêndio rural no concelho de Castro Verde deflagrou a 13 de julho na zona da Lagoa da Mó, perto de Casével, tendo sido dado como dominado apenas no dia seguinte, pelas 2:22. Mobilizou 165 operacionais, com o apoio de 60 veículos e três meios aéreos, tendo ficado feridos cinco bombeiros, dois dos quais com gravidade, e ambos da corporação de Cuba. Carlos Carvalho, um desses feridos graves, acabou por morrer a 30 de julho numa unidade hospitalar de Lisboa.

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