11 Setembro 2016      10:22

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BAIXO ALENTEJO: GREVE DOS ENFERMEIROS OBRIGA A SERVIÇOS MÍNIMOS

O coordenador da Direção Regional do Alentejo e dirigente nacional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, Edgar Santos, divulgou os números de adesão à greve de enfermeiros da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA).

“A taxa de adesão foi de 64% no turno da manhã”, foram números proferidos pelo sindicalista Edgar Santos, à Agência Lusa. Este número ocorreu de manhã, com valências a funcionar com serviços mínimos de enfermagem, como o bloco operatório.

No entanto, Edgar Santos afirma que várias valências da ULSBA registaram uma adesão à greve de 100%, tendo que funcionar com serviços mínimos de enfermagem. Por exemplo, em Beja só funcionou a sala de cirugias de urgência.

Para além do bloco operatório, as medicinas 1 e 2, o internamento de psiquiatria e a unidade de AVC foram outros dos serviços do Hospital de Beja a funcionar com serviços mínimos de enfermagem, pois a adesão dos enfermeiros foi de 100%.

Segundo Edgar Santos, o conselho de administração da ULSBA alegou, na quinta-feira, véspera da greve, que não havia cirugias programadas, alterando o horário e forçando um grupo de enfermeiros do bloco operatório a gozar folga, o que não é permitido pela legislação, havendo um pré-aviso de greve. Os enfermeiros foram escalados para a sala de cirugias de urgência.

No entanto, o coordenador da Direção Regional do Alentejo e dirigente nacional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, elogiou a “boa resposta e adesão de 100%” dos enfermeiros que foram escalados para a sala de cirugias de urgência, que funcionou com serviços mínimos de enfermagem.

Edgar Santos admirou-se com a falta de cirugias programadas no Hospital de Beja, visto que há sempre doentes em espera para uma cirugia.

O Sindicato dos Enfermeitos Portugueses protestou, junto da administração da ULSBA, em nome da reposição do horário dos enfermeiros do bloco operatório porque “não pode alterar o horário depois de haver um pré aviso de greve”.

A greve de enfermeitos da ULSBA, durante os turnos da manhã e da tarde, entre as 8:00h e as 00:00h foi convocada pelo sindicato com o objetivo de reivindicar o horário de trabalho de 35 horas semanais para os enfermeiros que têm um contrato individual de trabalho.

A causa da greve é também a alegada discriminação por parte do Ministério da Saúde e do conselho de administração da ULSBA que insistem em manter as 40 horas semanais para os enfermeiros com contrato indidual de trabalho.

Na ULSBA só os enfermeiros com vínculo de funcionário público têm horário de trabalho de 35 horas semanais, apesar da maioria trabalhar mais horas devido à carência de enfermeiros.

Outra das causas da greve é também a acumulação de folgas por gozar e de horas extraordinárias que não são pagas e ainda a sobrecarga de trabalho devido à falta de enfermeiros. Edgar Santos referiu que “há serviços que para completarem o horário de enfermeiros este mês vão pagar muitos turnos extraordinários” e há enfermeiros com cerca de 190 dias de folga por gozar que trabalham exaustos. Edgar Santos considera isso inadmissível.

A Agência Lusa contactou o conselho de administração da ULSBA que não quis prestar declarações.

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