11 Agosto 2019      10:43

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Badlands - opus 1 de Terrence Malick

Ou a Balada Tranquila no Inferno.

Terrence Malick dirigiu dois filmes nos anos 70 do século passado e depois desapareceu durante 20 anos. Duas obras-primas absolutas: Badlands (1973) e Days of Heaven (1978).

Detestava as luzes da ribalta (a mundanidade) ao mesmo tempo que pretendia criar uma relação especial (e, sim, mitológica) com a natureza.

Vê-lo nos anos 90, após o seu regresso ao cinema, era ver uma única foto na rodagem do seu então terceiro filme, The Thin Red Line (1998). Rever Badlands é tudo e tanto quanto se queira, já que falamos de absolutos, logo também relembrar aquele tipo de chapéu à cowboy com ar introvertido e de frágil e infinita nobreza, que mais ou menos a meio do filme escapa à vertigem assassina de Kit sem saber quão perto esteve da morte; precisamente o tipo habitualmente por trás da cortina, o grande Terry Malick (familiaridades são necessárias) …

Quanto ao filme, digamos que um passeio pelo Inferno nunca deveria ser uma história de amor. Nunca deveria ser o mais belo dos filmes (e há uns quantos assim). Nunca os extremos, polícia vs. assassino, se deveriam respeitar desta forma.

A não ser que os seres se reconhecessem no abismo como semelhantes, proximidade pela consciência do ínfimo ante a plenitude. Dínamo gerador de uma profunda perplexidade que se transfigura em poesia pela visão do criativo, do artista - que felizmente abusa dessa prerrogativa.

 

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