21 Outubro 2020      08:39

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Alentejo tem o menor risco de transmissibilidade da covid-19 do país

Apesar do aumento do número de casos de infeção nas últimas semanas, o risco de transmissibilidade (Rt) da covid-19 no Alentejo é de 0,86, o mais baixo do país, avança a Rádio Pax.

Quanto a Portugal, o risco de transmissibilidade é, em média, 1,09. Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, explica que os “valores muito próximos de um indiciam, apesar de tudo, uma estabilidade na progressão da epidemia, com uma tendência ligeiramente crescente, como se pode verificar pelos números e pela curva, mas mesmo assim com valores bastante inferiores àquilo que já tivemos em meses passados” e que se verificam atualmente noutros países.

Já Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, refere que “o facto de ser um Rt abaixo de um, se tudo corresse bem faria com que a doença tivesse tendência para se eliminar. A grande questão é que provavelmente, com o surto que temos, até a nível nacional, isso dificilmente vai corresponder à realidade”.

Com a aproximação da época de gripes e constipações, os médicos preocupam-se com os grupos mais vulneráveis e de risco. No entanto, o responsável salienta que “o Alentejo [apesar] de ser uma das regiões do país com a população mais envelhecida, tem uma baixa densidade [populacional] e um distanciamento social importante”, o que “de alguma forma pode funcionar como um fator protetor”. Ainda assim, “é fundamental” ter em conta “as cautelas genéricas que já todos ouvimos falar dezenas de vezes, entre as quais a higienização das mãos, etiqueta respiratória, distanciamento físico e utilização da máscara”.

Este ano, segundo refere Ricardo Mexia, mais do que nunca é “importante” fazer a vacinação contra gripe, não só para prevenir, mas também para que se “reduzir as idas às urgências” e em particular porque “ajuda a lidar melhor” com as queixas respiratórias. Além disso, “as medidas implementadas contra a covid-19 são também úteis para reduzir a incidência de outros vírus respiratórios”.

Pedro Vasconcelos, presidente do conselho sub-regional de Beja da Ordem dos Médicos, esclarece que o facto de o risco de transmissibilidade no Alentejo ser 0,86 é “mais cómodo” do que “se fosse superior a um”. Ainda assim, “não podemos abrandar na adoção das medidas [para que o Rt] não suba, ou se subir – o que é provável que aconteça dada a situação nacional – não aumente tanto, para não apresentar um motivo de maior preocupação”, salienta o responsável.

De acordo com Pedro Vasconcelos, a toma da vacina da gripe deve ser tida em conta pois “é mais uma arma contra [possíveis] consequências negativas que a gripe possa vir a trazer”.

Quanto à Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), esta considera que as “preocupações” nesta altura são idênticas às de sempre: dar a melhor resposta. “Sendo esta uma situação desconhecida, temos de estar preparados para dar a resposta mais adequada. Por isso, a maior preocupação é a criação de condições de atendimento e internamento para as necessidades, uma vez que é previsível o aumento de casos”.

Tal como a Direção-Geral da Saúde (DGS), a ULSBA “também recomenda a vacina da gripe, tendo já preparada a sua calendarização de administração” de acordo com as orientações das autoridades de saúde.

A mesma fonte reforça ainda que “os conselhos a seguir são aqueles que anualmente se difundem para a época da gripe, desta vez com maior ênfase face à situação de pandemia da covid-19 que vivemos. Devem por isso ser cumpridas as medidas básicas de controlo de infeção, existir um recurso responsável às Instituições de Saúde, privilegiando os contatos com os cuidados de saúde primários, e recorrer à linha Saúde 24”.

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