7 Julho 2020      11:44

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Projeto da U. Évora combate estereótipos de género na comunicação em saúde

Investigadores da Universidade de Évora vão construir uma ferramenta online para a deteção automática de estereótipos de género na comunicação em saúde, sugerindo alternativas ajustadas.

A investigação, denominada #Unstereotyped, é um dos 16 projetos financiados pela Fundação Para a Ciência e Tecnologia para estudar impactos de género no âmbito da pandemia de covid-19, de entre 145 candidaturas. Além disso, será coordenado por Rosalina Pisco Costa, pró-reitora da Universidade de Évora (UÉ) e investigadora do CICS.NOVA — Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais.

Em comunicado à agência Lusa, os promotores avançaram que “o objetivo passa por utilizar a inteligência artificial para preparar uma ferramenta web original e inovadora capaz de detetar automaticamente linguagem estereotipada e sugerir alternativas ajustadas à comunicação em saúde pública”.

De acordo com a universidade, os investigadores envolvidos vão analisar os materiais de divulgação produzidos pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), bem como os planos de contingência das instituições de ensino superior públicas portuguesas e conteúdos informativos da RTP durante o período da pandemia. Esta análise visa “avaliar a existência de linguagem escrita e oral que (re)produza estereótipos de género”.

A coordenadora do projeto salientou ainda a importância da investigação no “reconhecimento de linguagem sexista e estereótipos de género”, e que esta nova abordagem “deverá ser capaz de sugerir alterações ajustadas a uma linguagem inclusiva e sensível ao género”.

Assim, esta ferramenta será “passível de utilização no contexto mais amplo da comunicação em saúde pública de emergência”, especialmente no que diz respeito a situações de “pandemia, catástrofes naturais, guerra e conflitos de índole diversa”, referiu Rosalina Pisco Costa.

Ainda sobre o projeto, o comunicado indica que este se apoia “num desenho misto que combina técnicas clássicas de análise de conteúdo e do discurso e técnicas avançadas de Processamento de Linguagem Natural (PLN)”. Os investigadores irão também recorrer à análise assistida por computador e, para o processamento de Língua Natural, utilizarão “uma análise sintática das frases, conjugada com o uso de regras simbólicas identificadoras de situações de estereótipos de género”.

Adicionalmente, “vão ser ainda avaliadas técnicas de aprendizagem automática que, com base em modelos da Língua Portuguesa, permitam classificar automaticamente diversas frases”.

No fim da investigação, está previsto ainda o lançamento de um Guia de Boas Práticas em linguagem inclusiva e sensível ao género, orientado para a comunicação em saúde pública de emergência, a disponibilizar publicamente em formato digital e interativo.

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