15 Julho 2018      12:57

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2 filmes: Manhã Submersa e Dead Man

Manhã Submersa, de Lauro António, da obra homónima de Vergílio Ferreira.

Construção de uma tragédia, a convergir para um único momento, inferido muito antes, e gritado em off. O modelo é realista, mas com diálogos teatralizados (e, nesse caso, o que fazer com o rapaz – Joaquim Manuel Dias? Um achado com os seus XXXX a cada palavra).

Os momentos de firmeza que as circunstâncias depressam transformam em aceitação são geniais, distanciando e não complementando. Plenos de esforço contido; no fundo, a essência exacta (sincera) da inevitável perdição juvenil, a terminar no cruel (austero) sorriso adulto: ‘Não é prexiso, minha Xenhora, xei que não tenho vocaxão!’ … ‘Não é prexiso, minha Xenhora, tenho vocaxão!’ O instante sacrificial é tão brutal como a frase final da mãe, ‘Não era preciso isto!’ Pois não era, e, no entanto, foi… Ah, e depois a luz (ausência nos exteriores, misto degradé de cinzas).

 

Dead Man, de Jim Jarmush

Enfim, Jarmush a ser Jarmush.

Sobram coisas boas: a construção das imagens, os acordes enérgicos (insubmissos) do inefável Neil Percival Young, o olhar denso e pestanejante de Johnny Depp, os rigores estéticos de um Wild West genuinamente mitológico…

O conjunto intriga, ou começa por intrigar, mas a dada altura… Exponha-se deste modo: se começámos por perder-nos no labirinto, é como se em seguida, numa sequência ademais lógica, começássemos por subir, subir, e, enfim, o gozo do labirinto, como se sabe, perde-se se visto de cima, no seu todo. É como se o simbolismo fosse demasiado exposto.

 

 

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Imagens de agenda.barcelos.pt e indiewire.com

 

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