23 Novembro 2018      19:37

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“Ensino” das Artes: Trampolim para a cidadania

Refletir sobre o “ensino “das artes nas escolas é algo não consensual e que, por vezes, pressupõe alguma erudição. (Entenda-se por erudição o recurso a autores que esclareçam e, em simultâneo, provoquem o debate).

Se a incorporação das Artes nos currículos escolares, continua por fazer, é na educação pré-escolar que ainda assume alguma relevância, enquanto formos capazes de resistir à sua escolarização. As liberdades criativas e inventivas vão-se esbatendo, mesmo anulando, à medida que se evolui na escolaridade. Nunca há tempo para experimentalismos, o teatro, a dança, a música…não ocupam lugar nos tempos letivos.

Tanto as artes como expressão, como as artes enquanto cultura, são um contributo essencial para o conhecimento da História e para o entendimento das interculturalidades.

Com uma enorme variedade de matérias, o “ensino” das artes, também auxilia à formação de cidadãos que queremos interventivos, críticos, informados e livres. No entanto, as nossas práticas pedagógicas continuam a primar pelo expositivismo e pelo pacifismo; castra-se a imaginação e anula-se a fantasia.

Na tentativa de reverter este estado das coisas torna-se necessário enfrentar os mecanismos institucionais, mas, não se pode defender o não institucional vivendo a institucionalidade, assim como, não se pode combater a não tolerância com a intolerância.

O falhanço da atual Escola continua a revelar-se nas imposições curriculares que em nada contribuem para um conhecimento ativo.

Enquanto se ensinar a ler e a escrever antes de se investir na exploração das diferentes formas de expressões, antes de se deixarem, as crianças, experimentarem o mundo, algo continua errado. Procuremos novas formas de estar esquecendo teorias baseadas na ignorância.

A pedagogia da desobediência é reprimida e, em simultâneo, reprime. Não se podem preparar crianças e jovens para os questionamentos enquanto o trabalho em torno das artes/expressões não ocupar o lugar que lhe é devido. São estes conhecimentos ativos que facilitam o combate às politicas repressivas e fascizantes. Queixamo-nos do renascer dos fascismos, mas, se olharmos para o interior dos nossos estabelecimentos de educação/ensino, deparamo-nos com totalitarismos institucionalizados: o ministério manda, o diretor obedece; o diretor manda, o professor obedece; o professor manda, o aluno obedece. O sistema mantem-se inalterado há séculos sem que nada se faça o reverter. Temos de ser capazes de exigir mudanças mesmo que isso, por vezes, nos assuste; no fim vai valer a pena.

Todas estas alterações devem passar pela inclusão das artes nos currículos de todos os níveis de ensino. Com este contributo, a Escola ficará mais atrativa, logo mais facilitadora de sucesso.

Sei que, a subjetividade das minhas opiniões, encaram as Artes como algo que comunica, como documentos intemporais que nos ajudam a acalmar o tempo. Também tenho consciência que estas, as Artes, são inquietantes e que alguma da minha confiança depositada nas racionalidades começa a diminuir com alguns dos argumentos apresentados, mas estou pronta a dar o meu contributo.

Imagem de capa de Mikes Photos

 

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