8 Novembro 2015      23:35

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A SEMANA DE CAVACO

Com os acordos fechados à esquerda, é mais que previsível a queda do Governo liderado pela coligação PSD-CDS.

Estão criadas as condições exigidas por Cavaco Silva para aceitar um Governo de esquerda, tanto que, para já, nem o Bloco, nem o PCP, farão parte do Executivo.

Assim e dado que, constitucionalmente o Presidente da República não poderá marcar eleições legislativas até ao final do seu mandato, restam duas alternativas.

Numa primeira alternativa Cavaco Silva manterá Passos Coelho como Primeiro-Ministro à frente de um Governo de Gestão em que o Orçamento será gerido por duodécimos, isto é, com quantias definidas por ministérios e com pouca margem de manobra para decisões inadiáveis.

Com esta alternativa, tudo se manterá assim até às eleições presidenciais, altura em que o novo Presidente terá plenos poderes para marcar eleições legislativas.

Na segunda alternativa, Cavaco Silva poderá indigitar António Costa como Primeiro-Ministro devendo, em minha opinião, tomar as devidas providências para a garantia da existência de um programa para uma legislatura.

No final do seu mandato, Cavaco Silva terá que tomar a decisão política mais importante enquanto o político que diz não ser.

Os destinos do País estão literalmente nas suas mãos estando o país a aguardar primeiro o desfecho da apresentação do programa de Governo e, segundo a decisão do Presidente da República.

Independentemente da decisão que venha a ser tomada, e tal como já defendi aqui anteriormente, deverá acima de tudo ter-se em conta a estabilidade governativa que, sendo difícil de manter num Governo de Gestão, não será certamente mais fácil de manter se, nos acordos celebrados, essa garantia de estabilidade não estiver bem vincada.

Caso esteja, poderemos ter Governo para os próximos quatro anos. Caso assim não seja, o inevitável será a realização de eleições legislativas dentro de alguns meses o que, certamente, ninguém verdadeiramente preocupado com os destinos do País desejará.

A história está a ser feita. Em 40 anos esta é talvez a primeira vez que vemos a esquerda realmente unida em torno de algo.

Pessoalmente preferia que esta união tivesse sido feita antes das eleições.

Perante os acontecimentos actuais, nada mais me resta a não ser desejar que, a ser eleito um Governo de esquerda, este saiba manter a estabilidade necessária para levar o País a bom porto.

 

A semana inicia hoje com um Governo prestes a cair.

Veremos como acaba.

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