8 Dezembro 2015      10:48

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OS MIÚDOS VADIOS QUE FERIRAM DE MORTE A CAPITAL FRANCESA

O dia 13 de Novembro foi, indelevelmente, um dia diferente para todos os Franceses. Primeiro um balanço terrificante das consequências de um massacre já com precedentes e, logo de seguida, a conclusão nada animadora de que ninguém está a salvo. Alguns ensinamentos são a retirar dos acontecimentos. A confusão, o estado de sítio e a falta de esclarecimento aproveitará sempre ao agressor no seu intento de nos subjugar.

Primeiro, falar de radicalismo islâmico para explicar os acontecimentos da capital francesa constitui um erro de capital importância. Fomentamos a ideia peregrina de contraposição, luta ou cisão entre duas visões do mundo necessariamente incompatíveis. Nós, os bons, mais uma vez beliscados na nossa integridade por aqueles outros com sede de sangue e de guerra. A ideia acaba por germinar de que o modo de vida à ocidental é incompatível com o modus vivendi à muçulmana. A amálgama começa quando confundimos os actos infectos de um punhado de indivíduos com o exercício livre e necessário do direito ao culto religioso. Portanto nada de metermos no mesmo saco terrorismo e islamismo. Essa é a ilação mais elementar se quisermos evitar a revolta das comunidades muçulmanas residentes entre nós.

Diz-se que estes indivíduos mataram em nome da sua religião. Parece que a doutrina islâmica se impôs aos grandes homens, quase que, como uma obrigação. Estes homens, que pagaram com a própria vida, deviam ter a mais intima convicção ética e o mais sólido conhecimento para patrocinarem tão bárbaros acontecimentos. Essa visão romântica dos acontecimentos não podia ser mais enviesada. Quem se interessou por estas modestas vidinhas, terá constatado que não se tratam de grandes homens de convicções e cujo conhecimento da religião é apanágio. Não! Venderam a alma ao diabo a preço de saldo. As suas modestas vidinhas não valiam nada. Fizeram-no, não por convicção, mas simplesmente por mal-estar relativamente à sua própria existência. O que ganharam? O reconhecimento de indivíduos igualmente mal-intencionados e o sentimento de pertença a um grupo envolvido num projecto megalómano. Forçoso é, assim, de constatar que a religião não foi um fim per se, mas somente um veiculo facilitador e legitimador.

Portanto tudo se explica e jamais à luz da liberdade de culto religioso. E a culpa, que parecia ter sido enterrada com os corpos dos terroristas, ainda anda à solta nas ruas da capital francesa. Não basta abrir as fronteiras e subsidiar as famílias que chegam. Tal equivale, tão só, a atirar dinheiro para cima dos problemas e a virar a cara ao eterno dilema francês de integrar pessoas oriundas dos mais diversos horizontes. A história demonstra-nos, agora, que a França cometeu um erro monumental ao permitir que as comunidades muçulmanas evoluíssem à margem da sociedade. A pobreza encarregou-se do resto. Assim, a melhor das respostas à barbárie da capital francesa, não é a bélica, mas sim social. As políticas sociais de integração devidamente gizadas deixarão a Daesh a braços com um défice de carne para canhão. A emergência social consiste em perceber que a resistência se organizará, entre nós, europeus, pelo esforço inclusão e não através do ódio. Este último é capaz de saciar a nossa sede de vingança, mas não oferece qualquer perspectiva de resolução do problema a longo prazo.          

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