27 Julho 2015      10:52

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O ÚLTIMO ACTO

Esta semana, numa declaração ao País, o Presidente da República anunciou a data das eleições legislativas, agendando-as para 04 de Outubro.

Até aqui não haveria muito mais dizer para além do claro desrespeito pela opinião da maioria dos partidos na marcação da data.

No entanto, atentando no conteúdo da declaração, deparamo-nos com um ainda mais claro desrespeito da imparcialidade exigida a um Presidente da República.

A Cavaco só faltou pôr por palavras o apelo ao voto na coligação PSD/CDS, apelando à importância da estabilidade parlamentar e recordando os esforços feitos nos últimos anos (embora sem falar nos efeitos dos mesmos, claro).

Já há algum tempo que Cavaco vem demonstrando a sua parcialidade quanto a este Governo. Basta vermos as atitudes e declarações que tomou no Governo PS e compará-las com as atitudes que tomou, em situações semelhantes com o Governo de Coligação em que o seu silêncio foi muito mais que suspeito.

Agora Cavaco quebrou o silêncio e com ele todas as regras de imparcialidade que a sua posição impõe.

Não só agendou as eleições legislativas para uma data posterior à aprovação do Orçamento de Estado, permitindo que este Governo crie à partida limites para o que será eleito dia 04 de Outubro, como vem a público defender os seus.

Toda a sua declaração foi virada para um apoio muito mal escondido ao actual Governo e à Coligação que o representa, esquecendo, ou ignorando toda a oposição parlamentar, como seria seu dever.

Esta terá sido senão a última, pelo menos uma das últimas declarações do seu Mandato e fica marcada como todo este nos últimos pela parcialidade e pelo compadrio.

Como pode um Presidente da República passar de um dos Presidentes que mais vetou diplomas (chegando mesmo a fazer declarações igualmente muito pouco parciais sobre o seu voto) para, no mandato seguinte, perante diplomas em que as mesmas normas constitucionais estavam a ser postas em causa, nada fazer ou dizer?

Este é o Presidente da República que iremos ter no início do Mandato do Governo que será eleito no dia 04 de Outubro.

Resta saber se, caso a oposição ganhe, iremos assistir a uma nova mudança de atitude e, nesse caso, como a esclarecerá perante os portugueses que o elegeram.

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