4 Setembro 2015      16:14

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IDICT BY ANABELA MARQUES É MADE IN ALENTEJO

Chama-se Anabela Marques e é a fundadora da Idict by Anabela Marques, uma marca de joalharia sustentável que conjuga, através de uma técnica inovadora, plástico de garrafas reutilizado e edições antigas de revistas de arte. O resultado pode ser visto na página do facebook, https://www.facebook.com/idict.by.am/timeline, em que Anabela partilha estas peças coloridas e originais. É a Made in Alentejo desta semana.
 
 
 
Tribuna Alentejo – Fios, pulseiras, pregadeiras... Em todas as peças se encontra uma atitude, uma marca Indict que as diferencia... Há quanto tempo crias estas peças? Como surgiu esta ideia de reutilizares plástico e papel na criação deste novo conceito?
 
Anabela Marques – Este projeto surgiu em maio de 2011 em Barcelona. Quando cheguei à cidade catalã 5 meses antes no dia de Reis para uma pós graduação em desenho na faculdade de Belas artes, levei comigo o presente para a minha colega de casa, uma pregadeira feita a partir de plástico do fundo das garrafas e de papel de revistas antigas. Ela gostou imenso e perguntou-me se era feita por mim e se vendia as peças. Eu respondi que tinha feito mas que não comercializava, eram apenas para oferecer a amigas no natal. Entretanto comecei a fazer algumas experiências, mas sem nenhum objetivo em concreto, apenas divertir-me. Uns dias mais tarde tive conhecimento que iria ocorrer uma festa portuguesa, no dia de Portugal nos jardinets de gràcia, uma zona central de Barcelona. Logo me apressei a dizer que tinha algumas peças que poderiam integrar a venda de artesanato urbano português, e fui aceite. Vendi quase todas as peças e o feedback das pessoas foi incrível! Algum tempo depois cheguei a Portugal e continuei com o trabalho e iniciei a técnica que utilizo hoje já por cá. Mas a minha preocupação com o meio ambiente e em reutilizar material já vem de trás, na altura em que os trabalhos que dinamizava em sala de aula eram numa grande percentagem nessa linha. 
 
Tribuna Alentejo – Tens formação na área da joalharia? Esta é uma paixão antiga?
 
Anabela Marques – Tenho formação em Pintura e Desenho, sou professora de artes visuais, mas de momento não exerço. E nunca pensei na joalharia como uma paixão e muito menos que um dia poderia desenvolver uma ideia como esta. Surgiu na minha vida de um modo casual e descomprometido e quando percebi já estava completamente envolvida e atualmente gosto muito do que faço, fico orgulhosa com o caminho que tenho percorrido e com os desafios que tenho superado. No entanto, pretendo receber formação em joalharia para que seja possível continuar a melhorar.
 
 
Tribuna Alentejo – Fala-nos um pouco do processo criativo das tuas peças.
 
Anabela Marques –  Por norma não projeto as peças, na sua maioria elas surgem das experimentações que faço com os materiais. Estou algum tempo a pensar sobre possíveis soluções, conceito, forma, elementos a utilizar e vou amadurecendo as ideias na cabeça. Depois passo logo para o lado prático do processo. Tenho notado também que a última coleção surge do seguimento da anterior e é interessante perceber a linha condutora. 
 
Tribuna Alentejo – Qual é a tua relação com o Alentejo?
 
Anabela Marques – De paixão. Costumo dizer que quanto mais conheço dos outros países mais gosto do meu e o Alentejo é o meu lugar de eleição neste pequeno lugar à beira mar, já vivi noutras zonas do país igualmente bonitas e interessantes, mas a ligação ao Alentejo é muito forte, as minhas raízes estão cá.
 
 
Tribuna Alentejo – Como é fundar um projeto deste género a partir do Alentejo? Quais foram os maiores desafios que já encontraste até hoje?
 
Anabela Marques – Perceber o feedback lá fora de pessoas que não me conheciam e num meio multicultural e super inspirador foi fundamental para o desenvolvimento do meu trabalho aqui. Deu-me confiança e fez-me acreditar que seria possível desenvolver algo interessante e que agradasse às pessoas. Continuar o meu trabalho na minha terra é bom porque as pessoas conhecem-me, conhecem o meu trabalho, apoiam-me e isso faz-me sentir bem. Os maiores desafios são aqueles que não espero que possam surgir e que de repente vêm ter comigo. A primeira feira internacional em 2013, na Macef em Milão; a Bijhorca em Paris no ano seguinte; o convite da Amarsul para criar acessórios para o desfile EcoFashion, em 2014; a presença em eventos direcionados ao Ecodesign, como a Ecostyle inserida na Tendence, na Messe de Frankfurt ou o Ethical Fashion Show em Berlim; dar resposta ao volume de encomendas que tenho todo o ano em tempoútil e continuar a surpreender.
 
Tribuna Alentejo – Inspiras-te nas paisagens alentejanas para criar algumas das peças?
 
Anabela Marques – Sem dúvida que sim! Não de forma direta, ou seja as suas características não são visíveis no resultado final, mas o processo criativo é influenciado por tudo o que me rodeia e a que dou relevância. 
 
 
Tribuna Alentejo – Trabalhas sozinha? Quanto tempo demoras em média a criar um colar, por exemplo?
 
Anabela Marques – Sim, trabalho sozinha, mas nos picos de trabalho tenho ajuda da minha mãe e da minha irmã, também já solicitei tarefas a amigas. Espero alterar essa situação em breve, pois começa a ser muito difícil responder a todas as solicitações. Demoro em média 3 horas a elaborar um colar. 
 
 
Tribuna Alentejo – Se eu quiser comprar uma das tuas peças, como posso fazê-lo? Para além da venda online também podemos encontrar pelas Idict by Anabela Marques em lojas?
 
Anabela Marques – Sim, tenho lojas em vários pontos de venda em Portugal e no estrangeiro. A lista pode ser consultada em http://idictbyam.wix.com/jewellery#!stockists/c20x9
 
 
Tribuna Alentejo – Fazes o que mais gostas? 
 
Anabela Marques –  Não pensava muito nisso até me fazerem a pergunta pela primeira vez. E nesse momento fiz uma rápida retrospectiva do que tem sido a minha vida até aqui e a minha resposta é sim, desde que iniciei a minha atividade profissional como professora e depois no meu projeto de joalharia sustentável posso dizer que gosto do que faço desde que comecei a trabalhar. Só gostaria de poder investir tempo na pintura, essa sim uma paixão antiga. Até quem sabe conjugá-la com as peças Idict by AM, a coleção Outono Inverno 2015 já tem alguns apontamentos nesse sentido, apliquei algumas ilustrações minhas que imprimi, ou recortei sobre o papel de revistas.
 
 
Tribuna Alentejo – Até onde a Idict by Anabela Marques irá, no que depender de ti?
 
Anabela Marques – Desde o início que o objetivo foi apresentar a Idict by AM ao maior número de pessoas possível, dentro das possibilidades que me foram surgindo, e acho que tenho conseguido. Daqui para a frente é seguir a mesma linha de pensamento fortalecendo cada vez mais a marca.
 
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