1 Maio 2015      16:46

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COM AS NOVAS DESCOBERTAS CIENTÍFICAS

Nem de propósito.

No Dia do Trabalhador entrevistamos o incansável Luciano Lucas, um jovem de 35 anos, nascido em Santiago do Cacém, amante da biologia, activista da natureza, desportista, pai, investigador e empresário. Com 15 anos de muito trabalho, parte deles passados fora do país, aproveita a experiência e lança a Sciently, uma empresa ligada ao marketing e comercialização de novas descobertas científicas. Mas não é só. Luciano Lucas está apostado em melhorar o eco-sistema empresarial (e de empreendedores) regional e nacional. Explicamos-lhe como.

 

Tribuna Alentejo: Não exageramos se te tratarmos como cidadão do mundo. Como é que se opera uma transformação com esta dimensão num jovem que, com 18 anos, vive em Vila Nova de Santo André?

Luciano Lucas: Vila Nova de Santo André (Setúbal) nos anos 80-90 tinha algo de único. É que quase todos os habitantes dessa extraordinária terra tinham menos de 40 anos de idade.

Grande parte tinha filhos em idade escolar e a diversidade cultural era (e continua a ser) muito grande em comparação ao resto de Portugal. Este mix cultural e grande dinamismo marcaram a minha forma de ver o mundo - dou muito valor á tolerância das diferenças, respeito pelo outro, e a capacidade de inovação para resolver problemas comuns.

 

 

Tribuna Alentejo: Ficam explicados os elogios dos teus amigos e colaboradores. E a ciência? Onde começou ela a influenciar-te?

Luciano Lucas: Estudei na Escola Padre António Macedo (Santiago do Cacém), na área das Ciências. Fui um aluno difícil para os meus professores (risos).

Muitas perguntas inconvenientes que acabavam por dificultar o andamento da aulas... é assim quando a curiosidade é muita! Desde já um grande obrigado os (poucos) professores que trabalharam comigo nesse tempo.

Nos anos de liceu envolvi-me em muitas outras atividades desde trabalho de voluntariado com a QUERCUS, O Leme e EXPO98 até a minha participação (e algumas vezes organização) em campeonatos de Volleyball e Bodyboard. Participei também no grupo de expressão corporal e dramática ligados ao GATO, liderado pelo Prof. Mário Primo (uma grande referencia para muitos na nossa região).

Aos 18 anos tinha um grande interesse por Biologia e sentia que estava na altura de ir para fora... Candidatei-me à universidade, entrei em Coimbra e na Universidade de Glamorgan no Reino Unido. Escolhi ir para Glamorgan estudar Biologia. Fiz o curso em 4 anos (incluindo um nos Estados Unidos a fazer investigação na área da genética de populações. Estive também 4 meses a fazer investigação na Universidade de Oxford na área da biologia do cancro e angiogenese - tema pelo qual me apaixonei).

 

 

Tribuna Alentejo: Lidas bem com realidades diferentes das que conhecias. Como se dá a mudança do estudo e da investigação para a profissão propriamente dita?

Luciano Lucas: Depois de acabar o curso de Biologia fui para a Universidade de Nottingham (também no Reino Unido) fazer o PhD (doutoramento),  na área da angiogenese em cancro e microscopia em 3D. Passei por Londres (Gray Cancer Institute), e Irlanda do Norte (Ulster University) antes de terminar o projecto em 2007.

Foi um período muito difícil pela complexidade do projecto de carga horária (muitos meses com mais de 15 horas a fazer microscopia numa sala escura e fria, com um único som, o zumbido do laser de alta potência que servia para visualizar as células fluorescentes dos vasos sanguíneos dentro dos tumores.

Depois desta etapa fui "encontrado" pelo CEO da Bitplane que me convenceu a trabalhar com ele. O Marius Messerli  foi uma pessoa muito marcante para mim. Empreendedor nato! Uma vontade e capacidade enorme de "fazer".

Quando entrei para a Bitplane éramos 15 pessoas agora somos 35, sou o Product Manager e Head of Sales (já não temos CEO pois a empresa foi comprada pela Andor e depois pela Oxford Instruments). A Bitplane produz o Imaris, um software utilizado para a análise e visualização de imagens científicas e médicas em 3D/4D. A cada mês temos mais de 100 publicações científicas onde o Imaris é uma das ferramentas chave para chegar as descobertas reportadas.

 

 

Tribuna Alentejo: E o teu projecto? A Sciently fica onde no meio da tua actividade empresarial?

Luciano Lucas: Em Agosto de 2014 dei início (com a Dominika Trembecka Lucas) à Sciently que é o resultado do que apreendi e fiz nos últimos 15 anos de trabalho. Os serviços disponíveis vão desde o marketing até a comercialização de novas descobertas científicas. Passando pela formação, prospecção de mercados e também a criação de novos produtos. Tudo nas áreas das ciências vivas e novas tecnologias. E operamos nos Estados Unidos e na Europa.

 

 

Tribuna Alentejo: E a tua equipa?

Luciano Lucas: A Sciently é gerida por mim e pela Dominika (ambos fundadores), no entanto temos uma rede de colaboradores espalhada um pouco por toda a Europa e Estados Unidos.

 Os nossos colaboradores são especialistas em diversas áreas das ciências e/ou negócios. A primeira fase da Sciently foi a construção dessa rede de colaboradores. Foram muitas horas de reuniões via Skype (risos)!

 

 

Tribuna Alentejo: Ainda te sobra tempo? Estamos por dentro do Open Coffee Alentejo. Queres explicar?

Luciano Lucas: Gosto muito da minha família (temos um filho de 2 anos) mar, natureza e surf. Sempre que temos algum tempo livre vamos até a praia com a família. Para além disso dedico-me a melhorar o eco-sistema empresarial (e de empreendedores) regional e nacional.

No início de 2015 demos início ao Open Coffee Alentejo, uma iniciativa "grass roots" que tem como objectivo dinamizar o tecido empresarial Alentejano e Português. As reuniões são informais e atraem indivíduos com negócios montados, mas também pessoas com grandes ideias, projectos, investidores e pessoas com grande capacidade de execução. Já vamos para a quarta edição em apenas 3 meses.

A próxima Open Coffee Alentejo será dia 15 de Maio em Évora em parceria com a Associação Alentejo de Excelência e a Citizen Tailor. Este primeiro Open Coffee Alentejo em Évora tem também o apoio e participação do Tribuna Alentejo, NERE, Alentejo 2020, Sines Tecnopólo e PCTA. A participação é grátis mas requer inscrição

 

 

Tribuna Alentejo: Que dificuldades empresariais sentes no País? Que pode ser feito para termos mais empresas e mais empresários?

Luciano Lucas: Penso que Portugal tem muitíssimo potencial para estar na frente no que toca à inovação e criação de novas tecnologias e serviços. Penso que o que falta são mais colaborações onde se criem sinergias. Nos últimos anos começámos a ver boas iniciativas em Lisboa e Braga principalmente. Mas também no Alentejo (Évora, Beja e Sines-Santo André-Santiago). Isto é muito bom sinal. Estamos cá (Sciently e Open Coffee Alentejo, em parceria com todos os interessados) para dar mais um impulso ao nosso país.

 

Tribuna Alentejo: O que dizer aos que querem ser empresários?

Luciano Lucas: Liguem-se ao eco-sistema de empreendedores que já existe no Alentejo. O Open Coffee Alentejo é um dos eventos (acontece pelo menos uma vez por mês) que podem ajudar bastante alguém que queira iniciar um negocio próprio. É aberto a todos - é uma excelente forma de formar parcerias e discutir o valor de novas ideias. Para além disso, nunca desistir, aceitar o falhanço como parte do processo, e ajudar os outros sempre que possível.

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