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Televisão

DA SECA VIVIDA, À "SECA" CONSENTIDA

Com a seca dentro de casa, tudo tem outra cor, outro ritmo; o amarelo rege e as oliveiras consentem um maior calmeiro.

Existe coisas para as quais não consigo encontrar explicações. Chego a pensar que todas estas contemplações, toda a dialética dos acontecimentos, contribuem, só por si, para o vingar de anulações consentidas, de ignorâncias perpetuadas.

Estando de férias tentei ver televisão durante as horas em que habitualmente estou a trabalhar.

Mal ligo o aparelho irrompem do ecrã leviandades, aproveitamentos consentidos, o culto do ridículo.

GAME OF THRONES

Há séries de televisão, filmes e outros conteúdos semelhantes cujo sucesso é incompreensível, ou imprevisível. Não é de todo o caso desta adaptação d’ “As Crónicas de Gelo e Fogo” de George R. R. Martin, que a HBO começou há seis anos. O autor dos livros, popularizado por uma espécie de sadismo para com as personagens principais, recusou a sua adaptação imediata ao cinema, quando publicou os primeiros volumes na década de 90, por dois motivos: primeiro, a noção de que a complexidade da história exigia que a adaptação passasse por uma série, cuja extensão permite explorar os vários cenários e enredos; em segundo lugar, por não existirem na época, meios técnicos suficientemente satisfatórios ou capazes de adaptar os seres místicos ou mágicos aos ecrãs. Mas, afinal Game of Thrones (2011 - , real. David Benioff e D.B. Weiss) é uma série sobre o quê? Fantasia, drama, história, zumbis, política, épico…? Nenhum desses em concreto, mas todos em simultâneo. E isso é apenas um dos ganchos que fazem dela o enorme sucesso que é.

RESGATAR A DEMOCRACIA: AS CHAGAS E OS MILAGRES.

A democracia foi sequestrada por três furiosos algozes. Hoje, permanece sob cativeiro, enquanto é torturada até ao âmago da sua essência, cada vez mais escassa, indefinida e perto da extinção na sua forma palpável, real e cotidiana. Contudo, ainda estamos a tempo de a resgatar e salvar de uma morte dolorosa às mãos dos seus captores. Ao olhar para os desafios que a democracia, como forma de liberdade e igualdade da organização das sociedades civilizadas, entre os ideais clássicos de inspiração grega e os vários momentos fundadores do pensamento contemporâneo desde as revoluções francesas e os movimentos políticos do século XIX, posso identificar três bestas do apocalipse que afrontam a sua existência: a) o terrorismo; b) grandes grupos de informação/comunicação; c) a política em si mesma. Contudo, para cada um deles, e em missão de resgate, podemos enviar três cavaleiros: a) a representatividade; b) participação; c) cultura. Entre os vários ataques e possibilidades de salvação da democracia, há dois Meios que, enquanto ferramentas e caminhos, funcionam como importante campo de batalha, cujo terreno pode tanto gerar frutos como ser espaço minado: a televisão, e a internet. Vamos então tentar perceber em que consiste cada um destes pontos.

NICOLAU BREYNER - UM ALENTEJANO DO TAMANHO DO MUNDO

O Alentejo perdeu dos um seus nomes mais consagrados. Nicolau Breyner, um nome incontornável da arte, do espetáculo e televisão portuguesa partiu hoje, aos 75 anos, vítima de um ataque cardíaco.

Nascido em Serpa em 1940, João Nicolau de Melo Breyner Lopes passou a sua infância no Alentejo e acabaria por mudar-se para Lisboa, onde canto na Juventude Musical Portuguesa e ingressou, mais tarde na Faculdade de Direito de Lisboa, uma aventura curta pois acabaria por entrar no Conservatório Nacional para um curso de canto e, posteriormente, de teatro.

O Lago dos Tubarões ou das Sardinhas Enlatadas?

Quando decidi começar a escrever estas crónicas comprometi-me comigo mesmo a tentar ser o menos controverso possível, optando sempre por abordar questões económicas de modo abstrato em detrimento de entrar em linha com temas da atualidade.

Durou… até hoje! Porque vou escrever sobre o Lago dos Tubarões, (a triste) versão portuguesa.

Foi com alguma expetativa que assisti ao primeiro episódio da adaptação lusa ao “Shark Tank”, e a palavra que no final melhor expressava o meu estado de alma era DECEÇÃO.