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Pedro Lacerda

AXILAS

Este último filme do realizador português José Fonseca e Costa, terminado já depois de falecer, é, em boa parte, igual à forma de ser e estar do próprio realizador em toda a sua vida. A partir do conto homónimo de Rubem Fonseca, o realizador dá-nos uma adaptação humorística de forma livre, espontânea e corrosiva. Como homenagem a uma cidade e um país que estão a morrer, deambulamos pelas ruas da cidade de Lisboa, onde Lázaro de Jesus debulha um erotismo exótico, de um poeta incompreendido, inclusive pelos próprios amigos. Entre um copo e outro, uma tasca e outra, o filme começa e termina num cemitério, “dos Prazeres”, lembrando-nos do sarcasmo e ironia que a própria enquadra em todos os seus sentidos.