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Mossack Fonseca

O MAR QUE BATE NA AREIA E DESMAIA

Precisamos de tempo para compreender a dimensão do que acontece no dia-a-dia. Precisamos de contrariar a ferocidade com que a avalanche de acontecimentos superam a importância das questões em debate. No espaço de uma semana, assistimos ao congresso do maior partido da oposição, sem oposição interna; ficámos a saber, pelo menos oficialmente, da evasão fiscal como prática corrente, levada a cabo por políticos e empresários e com a conivência de parte do mercado financeiro mundial, e alguns estados; derivámos daí para o futebol e as suas polémicas; caímos, com os safanões linguísticos de um ministro da cultura que passou a ex-ministro. E terminámos a semana sem ter uma única reflexão cuidada sobre nada disto, onde pelo meio mais um país, Angola, pediu um resgate ao FMI, e o presidente do Banco Central Europeu (BCE) foi insolitamente convidado do Conselho de Estado Português. O tempo, ou a falta dele, elimina-nos a consciência.

A VEZ DO ZÉ POVINHO

Quem se informa sobre a vida das celebridades, dos políticos e dos homens e mulheres mais endinheirados apenas pelos tabloides ou pelo jornalismo empresarial tem a impressão de que riqueza e poder são características inatas. Este tipo de imprensa cumpre papel semelhante ao dos contos de fada, revestindo com auras de retidão e de virtude as personalidades de indivíduos pertencentes às classes mais altas.

PANAMA PAPERS

É esta a denominação do mais recente acontecimento de corrupção relacionado com o paraíso fiscal do Panamá, envolvendo um conjunto incrível de personalidades da vida pública a nível mundial que, directa ou indirectamente, estão a ser associados a este escândalo.