15 Janeiro 2021      10:24

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Villa romana de S. Cucufate na Vidigueira proposta a monumento nacional

A Direção Regional de Cultura do Alentejo (DRCAlentejo) propôs a classificação das ruínas de São Cucufate, que é Imóvel de Interesse Público desde 1947, a monumento nacional, avança o Público.

O motivo prende-se pelo facto de se considerar que a villa romana, localizada em Vila de Frades, na Vidigueira, tem um “carácter único e excecional a nível nacional e não só.”

Assim, a Direção-Geral do Património Cultural já publicou o anúncio para a “abertura do procedimento de ampliação da classificação das ruínas do antigo Convento de São Cucufate”. A diretora da DRCAlentejo, Ana Paula Amendoeira, explicou que este procedimento responde à “necessidade” de adequar o instrumento de proteção legal à realidade monumental das ruínas conservadas, destacando a “sua excecionalidade e o seu valor patrimonial, histórico e cultural intrínseco”.

Estes fatores de natureza patrimonial exigem uma redefinição da área do sítio a classificar com a “mais alta categoria de classificação nacional”, e que passa a integrar todos os vestígios de construções existentes e conhecidos numa Zona Especial de Proteção.

Esta salvaguarda do património histórico alentejano surge no âmbito dos exemplos já conhecidos de destruição de vestígios arqueológicos, que avisaram a DRCAlentejo para a necessidade de estender a aplicação de medidas de proteção à villa romana de S. Cucufate.

O sítio arqueológico que é interpretado como um “testemunho da organização social e económica romana” vai ter uma zona especial de proteção em redor das ruínas. A área a ampliar e os imóveis localizados na zona geral de proteção contemplam uma extensão de 50 metros contados a partir dos seus limites externos. 

O sítio arqueológico de São Cucufate teve, ao longo dos quase dois milénios de ocupação e uso, várias designações e funções. As suas origens estão associadas à época romana, altura em que foi instalada uma villa no centro de uma exploração agrícola. De acordo com Paula Amendoeira, “foi villa romana, foi mosteiro” no período cristão, acrescentando que, da sua reutilização como conjunto religioso cristão, “conhecemos duas designações diferentes – S. Cucufate e S. Tiago. Optamos por S. Cucufate por esta ser a designação mais antiga conhecida”.

Entre 1979 e 1984, uma equipa de investigadores dirigida pelo arqueólogo Jorge Alarcão, do Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e por Robert Étienne, do Centro Pierre Paris da Universidade de Bordéus, iniciou escavações nas ruínas quase desconhecidas da villa de S. Cucufate. Segundo o arqueólogo Vasco Gil Mantas, no trabalho que publicou sobre a Implantação rural romana em torno da Villa de S. Cucufate, esta “foi a primeira operação de arqueologia de campo efetuada em Portugal”.

A área então abrangida pela prospeção sistemática realizada nesta altura ultrapassou os 2000 hectares e teve como resultado a identificação de “60 sítios com vestígios romanos, 11 casais rústicos, 42 sítios secundários e duas pedreiras de granito.”

Já a qualidade dos materiais recuperados nas sondagens em alguns dos locais abrangidos pela prospeção, de acordo com Gil Mantas, refletem a existência de um “razoável nível de vida”. O arqueólogo admite ainda que, nos dois primeiros séculos do Império Romano no território chamado hoje alentejano “não existia ainda o verdadeiro latifúndio”, um modelo de propriedade que se terá “desenvolvido gradualmente em especial a partir do século III” e que se mantém nos dias de hoje.

 

Fotografia de visitalentejo.pt

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