20 Julho 2017      10:21

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QUE A BUROCRACIA SE DESBUROCRATIZE

Passado mais de um mês do terrível incêndio que tirou a vida a 64 Pessoas e devastou mais de 50 mil hectares em Pedrogão Grande, Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos, começa a triste parte do renascer das cinzas. Como tem sido frequente em situações de calamidade, os restantes Portugueses num acto de solidariedade não falharam e contribuíram com o que podiam e muitos com o que não podiam.

Penso que muito tem sido discutido por técnicos florestais e Pessoas ligadas aos Bombeiros e Protecção Civil sobre o tema da Floresta e de como nos devemos precaver em situações idênticas no futuro. Mas o meu artigo não se prende sobre se o SIRESP funcionou bem ou mal ou sobre se o Sr. Ministro Capoulas Santos avançou ou não com a melhor reforma para as Florestas. São assuntos de grande pertinência, mas o que me prende neste artigo é  essencialmente o dinheiro que custa a chegar para ajudar as Pessoas que sobreviveram a este e outros flagelos semelhantes em Portugal.

Li esta semana que as doações realizadas logo a seguir ao Incêndio no Verão de 2016 na Madeira, ainda não foram entregues às vitimas afectadas. Em Oleiros e Chamusca, 14 anos depois de outra catástrofe de semelhante dimensão os dinheiros comunitários não chegaram para o estabelecimento de novas infraestruturas, reformar a floresta ou para combater a desertificação. Sim, leu bem, um incêndio de 2003. Depois de muitas promessas, veio-se a comprovar que o vento as levou.

Não nos podemos esquecer que depois da fase mediática em que todos parecem querer ajudar e do choque inicial, as Pessoas que habitam nessas zonas continuam lá. Um dia a mais sem receberem os apoios, são mais 24 horas de sofrimento. E não terão todas essas Pessoas tido sofrimento que chegue? Não é concebível que o apoio a quem mais precise, chegue tarde ou NUNCA e sem justificação aparente.

Passado um mês da catástrofe que assolou Portugal, a par de descobrir quem e o que falhou, é obrigatório o dinheiro que todos os Portugueses contribuíram através de Instituições de Solidariedade chegue o mais rápido possível às Famílias e às Empresas afectadas pelo incêndio. E este dinheiro não vem de fundos comunitários, pois bem sabemos as burocracias exigidas por Bruxelas. Vem de todos nós. Qual a razão para tardar tanto a distribuição dos milhões angariados para quem mais precisa?

Não quero saber se a culpa é do responsável político A, B ou C, ou se de algum dirigente de IPSS. Mas com tanto sofrimento, porque demora este tempo todo a chegar apoio financeiro?

É certo que o dinheiro não vai trazer as Pessoas de volta, ou as casas daqueles que levaram uma vida inteira a construi-las e pagá-las, mas acredito que ajudará imenso e quanto antes melhor. Segundo o Presidente da Câmara Municipal de Pedrogão Grande, só 5 das 500 casas ardidas se encontram em fase inicial de reconstrução.

Tendo em consideração estes sucessivos atrasos, uma solução simples passaria por acionar um mecanismo estatal e o mais transparente possível com linha directa às vitimas, em que todos os Cidadãos tenham acesso detalhado aos valores angariados, quem gere directamente esses valores, para onde e quando são canalizaDAS.

Ah e se a culpa for da tão famosa e sempre responsável Burocracia, então que se desburocratize para possibilitar uma réstia de esperança a quem tudo perdeu.

O auxilio às vitimas é urgente!

Imagem de capa de Lucília Monteiro.

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