4 Setembro 2017      12:00

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A PRECARIEDADE NÃO É UMA OPÇÃO

Há umas semanas atrás, o Expresso publicava uma notícia sobre a tendência da geração mais jovem optar por casas mais pequenas e com o menor número possível de despesas inerentes às mesmas.

Apresentava esta tendência como uma opção de vida, aliado a um suposto estilo mais desapegado dos bens materiais.

Seria sem dúvida um artigo interessante...se correspondesse à realidade da geração mais jovem que começa agora a sua carreira e a sua luta por uma vida independente com as tais mínimas condições.

Não estamos a falar de jovens que entre uma vivenda de meio milhão e um T0 a € 450,00 optaram por este último apenas por gosto.

Estamos a falar de jovens que são pagos a recibos verdes, sem seguro de saúde e, muitas vezes sem seguro laborais que os protejam em eventuais acidentes de trabalho.

Estamos a falar de jovens que trabalham muitas vezes das oito horas até “às horas que Deus quiser” a troco de um salário fixo a rondar os € 800,00 brutos, aos quais se deduz 25 por cento de IRS e, nos casos aplicáveis, 23 por cento de IVA, para não falar de Segurança Social, despesas de alimentação, etc.

Portanto, mesmo este luxuoso e minimalista T0 a € 450,00 é, muitas vezes uma despesa incomportável para muitos membros desta geração (e de outras também).

Não estamos a falar de jovens que não querem trabalhar e que ficam a olhar para o ar à espera que as oportunidades cheguem.

Estamos a falar de jovens que, efectivamente, dão o seu suor a empregadores que apenas pensam no lucro e, quando confrontados com algumas condições dos seus trabalhadores, apontam para a pilha de candidaturas em cima da secretária e afirmam que, caso a pessoa não queira, há mais a querer.

Estamos a falar de jovens que querem começar a construir as suas vidas e que apenas contam consigo mesmos pois, como muitos sabem, na altura dos apoios que são necessários a uma conquista de posições num mercado cada vez mais agressivo, todas as portas se fecham.

É fácil apontar o dedo e dizer que as pessoas devem recusar estas ofertas mas, infelizmente, muitas destas pessoas apenas têm este rendimento para sobreviver. E os empregadores sabem disso. Aproveitam-se disso.

A precariedade é uma realidade em todas as áreas do mercado de trabalho. Combate-se com incentivos à contratação efectiva, com o bom senso dos empregadores ou, nos casos em que é possível, com um “não obrigado, com estas condições prefiro trabalhar para mim”.

Agora o que não pode ser feito é pegar na precariedade e tratá-la como uma opção de vida, como se se preferisse a instabilidade financeira à estabilidade e independência.

Coerência e seriedade também ajudarão a combater este flagelo.

Imagem de capa de esquerda.net

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