23 Junho 2017      16:38

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O FENÓMENO DO ALOJAMENTO LOCAL

Desde há quatro anos até aqui que o número de turistas em Portugal tem vindo a aumentar de forma exponencial, chegando, inclusive, a atingir taxas de crescimento na ordem dos dois dígitos.

Para ilustrar este cenário, e de acordo com referências do Euromonitor Internacional, a nossa capital, Lisboa, é a 66.ª cidade mais visitada do mundo com aproximadamente 2,9 milhões de turistas por ano. Já no que diz respeito ao Alentejo, os dados preliminares de 2016 publicados no inicio do presente ano pelo Instituto Nacional de Estatística, apontam para um aumento das dormidas através de um crescimento na ordem dos 10,8% face ao ano de 2015.

Mas afinal, o que está por trás desta expansão? Este boom deve-se em grande parte às companhias low-cost que vão proliferando um pouco por toda a Europa, e, com isso, surgem novas formas de encarar o ato de viajar. A título de exemplo, faz-se referência aos city break em família que são, atualmente, um fenómeno social que se tem vindo a popularizar e que cria novas necessidades de acomodação, muitas vezes colmatadas pelas próprias características intrínsecas à tipologia de alojamento local.

Depois, a somar-se ao suprarreferido, estão os millennials (geração na qual me incluo) que anseiam por conhecer os espaços que visitam como se lá vivessem, aculturando-se entre as gentes locais, e nesse sentido, os apartamentos tornam-se mais atrativos do que a grande maioria da oferta hoteleira. Além disso, ainda nos caracteriza fortemente, nos dias de hoje, o conceito de economia de partilha, impulsionado neste setor mediante plataformas já habituais no nosso léxico digital, tais como o Airbnb ou o Homeaway, que nos permitem beneficiar de uma oferta variada com preços acessíveis.

Há, em Portugal, neste momento, cerca de 21 mil titulares de alojamento local legalizados, sendo que a maioria possui apenas uma unidade, ou seja, são particulares que têm um único imóvel como fonte ou complemento do rendimento. Muitos destes titulares potenciaram e bem, a reabilitação e a regeneração urbana, dando vida a espaços desocupados e degradados.  Como se não bastasse, o setor tem vindo a animar o surgimento de “negócios do futuro” com a criação de startups que procuram satisfazer as necessidades dos empresários de alojamento local, através de plataformas que agregam a solicitação de serviços de limpeza, lavandaria ou de check-in, de forma tecnológica e integrada.

Ainda que tudo isto pareçam aspetos positivos, a figura do alojamento local tem estado sob fogo cerrado num enclave de discussões: em suma, podem ou não os condomínios limitar o direito de propriedade e de uso que cada um dos condóminos faz do seu apartamento.

Parece, de facto, ser importante a iniciativa de tentar mitigar a discussão que gira à volta desta relação entre agentes do fenómeno, mas será a lei capaz de limitar os proprietários e alienar os seus direitos de arrendamento de cariz económico?

Espero, sinceramente, que o fado não seja, lamentavelmente, o de uma lógica coletivista e saudosista de ruas desertas e sem dinâmica porque isso já devia ter sido assumido como coisa do passado.

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