21 Agosto 2017      09:50

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MENOS AMEAÇAS E MAIS FUNDAMENTOS

Por diversas vezes, nos tempos de Faculdade, parei por instantes a observar as imagens de Alexandrino de Sousa e de Ribeiro dos Santos (dois estudantes de Direito assassinados pela PIDE) que se encontram no átrio da Faculdade de Direito de Lisboa.

Nessas alturas pensava sempre em tudo o que a luta deles representou e representa ainda hoje. A luta pela liberdade de direitos e de expressão.

Hoje, ao ver que pessoas têm que fechar páginas em redes sociais porque os seus fãs estão a ser ameaçados simplesmente por apoiarem aquela pessoa, não consigo deixar de pensar no desrespeito que está a ser feito a todos os que lutaram pelo direito de nos expressarmos livremente.

Hoje, ao ver pessoas que têm que deixar de publicar nas suas páginas simplesmente por serem amigos de X ou Y, não consigo deixar de pensar que estamos a caminhar a passos largos para perdermos direitos que foram conquistados por pessoas que deram a vida por eles.

Hoje, quando vejo comentários como “deves morrer” ou com ofensas que me vou escusar de reproduzir aqui, não consigo deixar de pensar no que sentiriam não só Alexandrino de Sousa e Ribeiro dos Santos mas todos aqueles que lutaram e ainda lutam noutros Países pela liberdade de expressão ao ver este tipo de comentários.

É certo que todos temos o direito de concordar ou discordar de determinada opinião ou publicação e expressar a nossa opinião. Mas uma coisa é deixar a nossa opinião contrária outra é ameaçar ou ofender apenas por discordarmos.

Por exemplo, esta semana li um comentário de um vereador da Câmara Municipal de Évora relativamente a um incêndio que deflagrou no Concelho que pessoalmente me chocou e considerei bastante infeliz. No entanto, tal como eu tenho o direito de discordar do comentário, o Senhor Vereador tem todo o direito de o dizer. Agora o facto de discordar, não me dá o direito de o ofender ou ameaçar outrém ou as pessoas que concordem com o que foi dito.

Não gosto muito de recorrer a frases ditas mas hoje, mais do que nunca, as pessoas têm que se mentalizar que “a nossa liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros”.

Se nós gostamos de ter o direito de nos exprimir livremente, porque razão não podem os outros exprimir-se sem ter que ser confrontados com ofensas e ameaças nas suas caixas de comentários ou nas suas caixas de e-mail?

Num mundo cada vez mais global, não podemos querer que todos pensem como nós ou que tenham os mesmos gostos que nós.

Se não gostamos, temos sempre a opção de dizer porquê sem desrespeitar os autores ou, simplesmente, deixar de seguir determinada pessoa ou página.

Numa sociedade democrática e em que a informação prolifera de todos os lados o mais comum é que nos confrontemos com textos ou observações com as quais não concordemos mas, o que é facto é que a liberdade de expressão é um direito conquistado por muitos que morreram e sofreram às mãos da censura.

Queremos mesmo voltar a esses tempos?

Como um dia escreveu Voltaire: “posso não concordar com o que dizes, mas lutarei até à morte pelo direito de o dizeres”.

Pensemos nisto, ameacemos menos e fundamentemos mais.

Imagem de capa de segurancaecienciasforenses.com

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