1 Fevereiro 2017      11:47

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MAIS DIA MENOS DIA ISTO AQUECE

As promessas eleitorais, polémicas e discutíveis, de Donald Trump estão a ser cumpridas dia após dia e a cada ordem executiva Trump deixa o mundo pasmo e entorpecido.

Reconheço toda a soberania aos Estados Unidos da América (EUA) e legitimidade política ao caminho escolhido. No entanto, não posso deixar de manifestar preocupação e insatisfação quando os assuntos ultrapassam o limite aceitável de coabitação no “condomínio Terra”.

Que EUA não assine acordos comerciais de livre comércio e se retire da parceria Transpacífico dou de barato. Que suspenda temporariamente a imigração proveniente de regiões que, segundo Donald Trump, exportam terrorismo e onde não é possível garantir uma verificação segura, isso é lá com eles.

Agora, não posso concordar que Donald Trump pretenda rejeitar o Acordo de Paris sobre o clima. Vivemos todos no mesmo planeta e as consequências das alterações climáticas não reconhecem fronteiras. Mais, em matéria ambiental, as decisões que possam vir a ser tomadas pela administração Trump poderão produzir resultados, a nível global, que podem conduzir a consequências desastrosas.

É por isso que considero inaceitável e irresponsável que Donald Trump afirme que os EUA irão deixar “de contribuir com milhões de dólares” para os programas da ONU contra as alterações climáticas. Quando os Estados Unidos são o segundo maior emissor mundial de gases de efeito estufa (o primeiro é a China).

É, ainda, inadmissível, que classifique o aquecimento global como uma “fraude inventada pelos chineses para minar a industrialização dos EUA” e que esteja determinado a rescindir com todas as ações executivas de Obama relativas ao Plano de Ação Climática, nomeadamente no que se refere à restrição de emissões de gases de efeito estufa.

Todavia, sair formalmente do Acordo de Paris leva mais tempo do que o mandato presidencial, mas ainda assim, os Estados Unidos podem recusar reduzir as suas emissões.

Apesar de insuficiente, o grande pacto do clima vincula um esforço conjunto e cooperante entre países para combater as alterações climáticas, através da redução de emissão de gases com efeito de estufa a partir de 2020. A principal meta deste acordo é manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2ºC e rever, a cada cinco anos, os compromissos voluntários dos países.

Até ao momento, nenhum país deu sinais que acompanhará o presidente Donald Trump se os EUA abandonarem o pacto. Antes pelo contrário, os outros grandes emissores de gases poluentes (UE, China, Índia e Brasil) asseguram que a transição rumo a uma economia baixa em carbono é "irreversível".

A era do consumo sem consequências ambientais tangíveis acabou. Portanto, os EUA devem desempenhar a sua parte justa no combate pela causa.

Imagem de capa de goliath.com

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