6 Julho 2017      12:09

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LONGA VIDA À SUA OBRA

Comecei a acompanhar Henrique Medina Carreira em 2009, no ano em que entrei para a Faculdade. Confesso que para um jovem com 18 anos que tinha acabado de se filiar num Partido Político me fazia um pouco de confusão, ouvir Medina Carreira carregar forte e feio nos Partidos Políticos. Mas era a sua audácia, o seu rigor técnico e a sua frontalidade que me intrigavam em ver  com frequência os seus programas com Mário Crespo.

A sua frontalidade e o seu livre pensamento ainda hoje me cativam, no momento em que embora pertençamos a um Partido Político, continuamos a ter as nossas próprias opiniões e convicções – mesmo que sejam contrárias às posições oficiais dos Partidos que nos representam.                                                                                                                                                                   

Penso até que o que falta muito dentro dos Partidos e da própria sociedade civil é de facto pensar um pouco fora da caixa, haver mais Cidadãos como o Dr. Henrique Medina Carreira que digam as verdades incómodas. Dizê-las com toda a liberdade e da mesma forma desinteressada com que o fez até ao resto dos seus dias.  

A verdade é que em Política,  algumas grandes decisões e parte dos programas políticos de alguns se resumem ao populismo e à política fácil para cativar o eleitor. Resumindo, para se ganharem eleições.                          

Pessoas como Medina Carreira são Personas Non Gratas nos bastidores dos Partidos e dos centros de decisão. Porquê? Porque incomodam. Como o mesmo disse em entrevista ao Expresso em 2011, numa resposta ao porquê de lhe chamarem pessimista: “Não sou pessimista. Chamam-me assim porque, para me responderem, tinham de ir trabalhar, estudar os números, raciocinar. Limitam-se a chamarem-me pessimista e dão repercussão a essa ideia. É a coisa mais estúpida deste mundo e é a fórmula cómoda de tentar anular o meu pensamento. Enquanto não vir gente capaz de tomar conta deste país, sou incómodo.”

Acima de tudo o que eu apreciava em Medina Carreira, era a sua análise fria da economia do País. Desde há 8 anos, pelo menos, falava e escrevia livros sobre a bomba que é a nossa dívida pública e os erros cometidos ao longo das décadas na despesa pública. Hoje temos uma dívida pública que equivale a 130% do PIB quando deveríamos caminhar para pelo menos 90% do PIB e o que vemos?

Num momento de melhores resultados financeiros nacionais e em que a economia mundial continua a crescer, não se vê nenhuma reforma que combata as tais gorduras do Estado que Medina Carreira tanto falava. Pelo contrário, lá vemos sindicatos com a complacência do governo, dizerem que se deve aproveitar os bons resultados para se aumentar tudo e todos e rezar que as más noticias nunca mais voltem. Continuamos a ter mil e um organismos, milhares de assessores, centenas de motoristas deste e daquele instituto.

Foi-se embora esta semana um grande Senhor que até ao fim dos seus dias lutou por um Portugal melhor e mais estruturado, mesmo que fosse prejudicado na sua vida profissional pelas palavras que dizia. É a sua coragem e preocupação pela minha geração que quero recordar e torcer para que mais Medinas Carreiras apareçam. Que outros como Ele, exerçam funções de decisão e que acima de tudo nos eduquem de forma a pensarmos no que é melhor para nós e para o País a 10 e 20 anos e não pensarmos somente nos 4€ a mais que vamos ganhar no próximo mês com esta ou aquela política eleitoralista.

Imagem de capa de Rui Gaudêncio.

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