8 Janeiro 2021      11:31

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Liderança – A mutação no bom sentido

Se há conceito em constante mudança, é o conceito de Liderança. É o tema preferido junto de académicos ligados aos recursos humanos e à gestão, e é muito popular no meio profissional, gerando um sem número de artigos, teorias e metodologias, enriquecendo inequivocamente a forma como as equipas de trabalho são geridas um pouco por todo o mundo. A sua evolução enquanto objeto de estudo é tão rápida quanto as mudanças ocorridas no mercado de trabalho, profundamente permeável às características únicas de cada uma das chamadas gerações de trabalho.

Já quase tudo se escreveu sobre as novas gerações de trabalho e o seu impacto no meio empresarial, mas o tema está longe de ser consensual. Já se percebeu que as empresas que retiram o melhor dos recém-chegados ao mundo do trabalho são aquelas que ajustam, em parte, a cultura empresarial às características desta geração, onde a componente social desempenha um papel extremamente importante. Apesar deste tema causar algum celeuma junto das chefias mais conservadoras, é inequívoca a importância de acolher devidamente esta geração no mercado de trabalho, sustentando a ideia de que a forma como a liderança é aplicada nas equipas poderá ser a garantia para obtenção de melhores resultados operacionais.

Então, que tipo de liderança se ajusta melhor à chamada geração millenial?

Se existe uma mutação necessária no paradigma da liderança em Portugal, esta estará na forma bolorenta como muitos gestores lidam com as suas equipas e geram um ambiente formal e em desacordo com aquilo que as novas gerações de trabalho pedem. Há cada vez menos dúvidas de que os novatos trabalhadores valorizam um ambiente de trabalho mais leve e apostado numa cultura jovem e descontraída, sem que para isso seja necessário pôr de lado o profissionalismo e a credibilidade.

Jovem e descontraído não significa pouco profissional

Se o futuro do trabalho e das empresas está nesta fornada de jovens, caberá aos líderes reconhecerem a sua importância e trabalharem a sua capacidade de adaptação à nova realidade, e isso implicará necessariamente um ajuste do seu comportamento. Enquanto que o bolorento chefe não dava o mínimo espaço para ser abordado e eventualmente questionado sobre a sua liderança e decisões, urge a necessidade de se abrir a escotilha da comunicação aberta e deixar o impetuoso jovem contribuir com a sua opinião e ideias. Sim, porque este simples mas doloroso ato por parte do líder pode ser a diferença entre garantir que determinado talento permaneça na empresa, ou se incompatibilize com a mesma e se perca para uma concorrente. E num tempo que já não está para gorduras extra, é urgente garantir que as empresas se encontram apetrechadas com os melhores recursos humanos, atividade que nem sempre é fácil de concretizar.

Para os mais sedentos de poder, poderá dizer-se que a liderança contemporânea (mais aberta, mais comunicativa, mais tolerante e mais informal) não é sinónimo de fraqueza. Consiste na capacidade do líder se ajustar às características e necessidades de uma geração que dentro de alguns anos tomará as rédeas das nossas empresas e das nossas decisões políticas. Nunca esta competência foi tão importante, pois a complexidade e exigência do trabalho e do mundo nunca foi tão grande.

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Sobre o autor: Duarte Meneses é natural de Lisboa mas cedo se apaixonou por Évora e é lá que hoje reside. Licenciado em Psicologia com especialização em Psicologia do Trabalho, é atualmente aluno de Mestrado em Gestão na Universidade de Évora. Trabalhou como Consultor de Recursos Humanos em Portugal e Angola, e atualmente é Gestor de Recursos Humanos em empresas agrícolas da região.

 

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