20 Junho 2016      13:35

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INTERIOR, MOBILIDADE SOCIAL E EDUCAÇÃO

"VISÃO PERIFÉRICA"

Numa altura em que o tema da Educação tem sido uma constante na discussão em praça pública, maioritariamente pela dualidade das manifestações a que temos assistido em torno do apoio à escola pública ou contra os cortes nos contratos de associação, acredito, ultrapassando essa lógica de disputa, que a Educação é acima de tudo um processo de emancipação do indivíduo. Um processo, onde a aquisição de competências e habilidades sociais, tornarão esse mesmo individuo num cidadão com voz e responsabilidades, em concreto, no ambiente onde se insere.

Tenho vindo a defender a importância de um Portugal com mais recursos humanos qualificados, um país consciencializado e capaz de reconhecer que o Ensino e, em especial, o Ensino Superior, é um investimento que deve ser capitalizado, contribuindo não só́ para a construção de uma nação ancorada numa lógica da potenciação do saber, mas também capaz de garantir inovação e, simultaneamente, garantir uma sociedade e economia mais equilibradas, mais solidárias, mais justas e competitivas.

Porém, constatamos hoje, que os distritos do interior, tal como o de Évora, têm grandes dificuldades em fixar a população residente e em atrair novos valores, mais concretamente, no escalão jovem. Entre 2001 e 2011, enquanto a população do país cresceu 1,8%, o Alentejo perdeu 2,5% em termos globais.

Fenómenos sociais e económicos como a diminuição da natalidade e a falta de oportunidades de emprego têm precipitado ainda mais a litoralização, levando por vezes à marginalização desta região territorial, e, por conseguinte, ao abrandamento de diversos investimentos.

Nesse sentido, é importante pensar a Universidade de Évora como um vetor para a mobilidade social, tanto internamente como também a nível internacional, sendo impreterível a construção de ferramentas e instrumentos de apoio transversais que garantam a possibilidade de qualquer jovem que deseje prosseguir os seus estudos, o possa vir a fazer em qualquer ponto de país.

É, portanto, com enorme expectativa, que devemos aguardar por quais as movimentações e dinâmicas da Câmara Municipal de Évora em torno do novo Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado (FNRE). Foi a partir da semana passada que as várias entidades públicas interessadas puderam iniciaram o respetivo levantamento e consequente identificação dos imóveis degradados.

Temos vindo a deixar morrer o nosso património, sem qualquer tipo de intervenção sentida, pese embora, a existência de algumas iniciativas de cooperação que visavam compreender os obstáculos dos proprietários de edifícios devolutos no centro histórico, no entanto, um alvo essencial das politicas de habitação, tem sido descurado: os jovens.

Apoiar projetos de reabilitação de imóveis devolutos ou degradados e colocá-los no mercado de arrendamento com rendas mais baixas do que as que o mercado pratica é preponderante para consubstanciar os atributos “certos” e trazer Évora ao leque de escolhas primárias.

Criar condições para o início da vida ativa dos jovens estudantes depende, entre outros fatores, do acesso à habitação, de garantir a sua autonomia e os seus projetos de vida. Ainda que através dos diversos serviços de ação social da Universidade de Évora se garanta habitação para os jovens mais desfavorecidos ou carenciados, cabe às instituições públicas manterem um diálogo aberto e colaborativo para que no futuro a cidade tenha características que levem à fixação de jovens através de condições profícuas à sua permanência, num território desertificado e envelhecido.

O Ministro do Ambiente garante que em Outubro do presente ano o fundo deverá estar em pleno funcionamento, tornando possível que as primeiras casas de renda acessível cheguem ao mercado do arrendamento durante 2017. Reitera ainda que as obras dependerão da rapidez das autarquias nos necessários processos de licenciamento, portanto, aguarda-se com entusiamo a eficiência da CME na maximização e valorização do património, não só para o presente, mas acima de tudo para o futuro. 

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