11 Maio 2016      21:26

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IGNORAR O PRESENTE, COMPROMETER O FUTURO!

"PURA IDIOSSINCRASIA"

Em Portugal atualmente vive-se, infelizmente, num clima de puro clubismo político-ideológico, em que se colocam em prioridade os interesses individuais de cada agente político ao invés de se atuar em prol dos interesses conjuntos de todos os indivíduos que estão diretamente dependentes da atuação desses mesmos agentes políticos. A falta de compromisso e o puro fanatismo partidário coloca em causa a progressão do país, a promoção das liberdades individuais de cada cidadão e o desenvolvimento a médio e longo prazo. A governação e a desgovernação do “faz e do desfaz” tem vindo a ser mediaticamente adotada, principalmente pelo atual executivo do partido socialista apoiado nos seus “camaradas” de incidência parlamentar: o Bloco de Esquerda; o Partido Comunista e os Verdes.

No nosso país, desde que foi adotada a constituição de 1976, formando a terceira república portuguesa, nunca existiu nenhuma governação que tivesse uma continuidade a longo prazo. O exemplo que temos de governação mais longa é o de Cavaco Silva de durou 10 anos. As governações a curto prazo e a efemeridade dos corpos governativos faz com que haja uma certa dificuldade em manter certas políticas de estabilidade e de continuidade uma vez que, infelizmente os partidos de esquerda, como é exemplo o atual executivo, e por vezes também alguns partidos de direita, têm por norma utilizar a ferramenta da desgovernação desfazendo tudo o que aquilo que os anteriores executivos haviam realizado no que toca a medidas e políticas públicas estruturantes. O presente executivo, liderado por António Costa e apoiado nos partidos radicais de esquerda é um ótimo exemplo deste fanatismo ideológico. Assim que o atual executivo tomou posse, assumiu claramente como principal prioridade o “desfazer” das políticas de austeridade e de controlo das finanças públicas do anterior executivo. Medidas estas que foram tomadas devido às instruções e à pressão exercida pela troika.

O CDS-PP levou a parlamento, no passado dia 5 de Maio de 2016, vinte e cinco medidas que tinham como principal objetivo a promoção dos interesses da família e da natalidade. As várias propostas apresentadas pela líder do partido, Assunção Cristas, incluíam medidas como: novos subsídios; aumentos das licenças de maternidade, bem como a extensão das mesmas para os pais; benefícios fiscais para empresas que se demonstrassem family friendly; entre outras. Todas as medidas apresentadas tinham como principal foco o apoio à resolução de um problema estruturante em Portugal que se prende à demografia e à natalidade. A taxa bruta de natalidade tem vindo a cair a pique em Portugal desde a década de 70, fazendo com que em 2014 se verificasse uma taxa bruta de natalidade em permilagem de 7,9‰ face aos 24,1‰ verificados em 1960 (Fonte: Pordata). Segundo dados da mesma fonte, Portugal em 2014 apresentou-se como o país com a menor taxe de natalidade da União Europeia. A conjugação de todos estes dados representam um sério problema demográfico para o nosso país, que carece de soluções concretas para a resolução do mesmo. Apesar do CDS-PP ter apresentado medidas concretas e extremamente fundamentadas para a tentativa de resolução a longo prazo desta problemática estruturante, várias medidas foram chumbadas pela esquerda, sem fundamento lógico, o que não permitiu sequer que as mesmas fossem discutidas na sua especialidade. É difícil perceber o porquê de não se levar sequer a discussão medidas que, por exemplo, pretendam aumentar o abono de família para famílias com deficientes a cargo; aumentar o apoio ao arrendamento jovem para casais que tenham filhos através do Porta 65; e a flexibilização do horário das creches para irem de acordo às mais variadas necessidades parentais. Este chumbo por parte dos partidos da esquerda revelam uma fraca noção de responsabilidade social e política, bem como a falta de sentido de Estado. Como este exemplo, poder-se-iam enumerar outros tantos que se iriam inserir nos mesmos moldes.

Este é um dos principais problemas da governação do país a longo prazo, sendo que se torna bastante complicado tomar posições acerca de políticas de continuidade, uma vez que se verifica uma enorme atração ao chumbo de propostas só pelas mesmas virem de uma ala ideológica diferente, por mais benéficas que eles possam ser. Urge que os agentes políticos, com presença no parlamento da república, reúnam consensos e concordâncias no que toca a assuntos estruturantes sobre políticas que só funcionarão se forem assumidas num longo horizonte temporal. Desta mesma forma, é necessário que os partidos políticos sejam capazes de gerir consensos a fim de se tomarem posições que prevalecem a longo prazo, independentemente da ala política que estiver a governar, assumindo assim um compromisso com os interesses de todos os cidadãos. Torna-se praticamente impossível e insustentável a criação de soluções a problemas estruturantes e macroeconómicos que não tenham associados a si políticas de longo prazo. Todos os partidos do arco da governação, que hoje se estende a todo o espectro político, têm de se “sentar à mesa” e discutir todas as medidas e políticas que envolvem assuntos estruturantes tanto na área da economia, educação, saúde, entre outros, gerindo consenso e fazendo com que os mesmos se comprometam com essas medidas no presente e no futuro. Como diria Peter Druker, “A planificação a longo prazo não diz respeito às decisões futuras mas sim às implicações futuras das decisões que se tomam no presente”.

Deixemos de lado o fanatismo partidário, honremos o compromisso com os interesses dos portugueses e pensemos no bem-estar a longo prazo.

 
 
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