25 Julho 2016      15:52

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ESTARÁ A EUROPA CONDENADA À AUTO-DESTRUIÇÃO E AUTO-RECONSTRUÇÃO AD AETERNUM?

"ENTRE NAÇÕES"

É do conhecimento geral que a história, por si, tem tendência a repetir-se, outros preferem dizer que não se repete, mas que rima. O que é certo é que o ser humano apresenta um padrão de evolução peculiar, em que o seu comportamento em sociedade, e as decisões que advêm do consenso entre grupos de seres humanos agrupados em culturas, revela ao mesmo tempo uma tendência inata para a evolução intelectual, tecnológica, científica, comportamental e física, e paradoxalmente, em paralelo com toda esta evolução, o ser humano comete de forma cíclica sempre os mesmos erros, porém em tempos e gerações diferentes. Simplificando a questão, o ser humano consegue evoluir dentro de um espectro de erros perpetuados repetidamente e de forma cíclica, que por si paradoxalmente não impedem o mesmo de continuar a evoluir.      

Isto tudo para pegar no tema da pergunta acima colocada, que questiona se a Europa está condenada a auto destruir-se e auto reconstruir-se ad aeternum num padrão cíclico. Esta questão não é por mim colocada de forma inocente, o que está a acontecer actualmente com toda a questão da saída do Reino Unido (cuja palavra “unido” também vai tendo as suas vicissitudes) motiva uma reflexão em todos os aspectos do que será o futuro da Europa como aglomerado cultural, nacional e linguístico.

A história ensina-nos que o continente onde vivemos está em guerra constante desde que há memória e registos. Guerra por território, recursos, interesses nacionais, mas sobretudo por autodeterminação dos seus povos. A Europa representa na perfeição a materialização da teoria do sistema de Estados anárquico, onde nenhum Estado reconhece nada superior a si mesmo. Sempre funcionou assim no continente europeu, nenhum povo aceita ser comandado por outro povo. Por isto mesmo a história da Europa está cravejada de guerras desde que há registos. Os portugueses nunca aceitaram ser controlados pelos espanhóis, os polacos nunca aceitaram ser controlados pelos alemães ou pelos russos, os povos germânicos nunca aceitaram ser controlados pelos franceses, os franceses nunca aceitaram ser controlados pelos alemães, os holandeses nunca aceitaram ser controlados pelos espanhóis nem pelos alemães, e por aí adiante. Muitos mais conflitos de autodeterminação poderiam ser enumerados.

Esta história repetiu-se vezes sem conta no continente que dominou o mundo durante 5 séculos. Várias foram as tentativas de unir os povos europeus, Júlio César, Carlos Magno, Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler cada um à sua maneira tentou fazer vingar o Super-Estado, e todos os seus projectos e visões mais tarde ou mais cedo acabaram por fracassar, fazendo o continente voltar à habitual anarquia de povos. Este padrão tem-se repetido de forma cíclica, unindo e desunindo, construindo e destruindo.

Actualmente temos um novo paradigma de Super-Estado em construção no continente europeu chamado União Europeia, outrora Comunidade Económica Europeia e também Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Projecto fundado após o término da Segunda Guerra Mundial, com o objectivo de pôr fim aos conflitos sanguinários que pautaram a história do continente. O projecto tinha inicialmente como pressuposto a criação de uma interdependência económica entre países, que deitaria por terra qualquer ideia de conflito por parte de um Estado-Membro, visto que a sua economia estando emparelhada com as restantes economias vizinhas sairia gravemente lesada caso entrasse em conflito armado com as mesmas.

No entanto com o tempo, mais pressupostos de integração foram adicionados, mais especificamente integração política, delegando competências nacionais para instituições supra-nacionais. Foram criadas políticas comuns, pautas exteriores comuns, uma moeda comum (€uro), e um Banco Central Europeu. Conceitos federalistas antagónicos a uma organização intergovernamentalista que dá prioridade à soberania dos Estados. Tendo-se verificado uma evolução na integração europeia no sentido do federalismo e do caminhar em direcção à criação dos Estados Unidos da Europa / Países Unidos da Europa / Nações Unidas da Europa, o nome é discutível.

Esse modelo de integração é bem visto pelos partidos Socialistas e Sociais Democratas da Europa, que se assumem federalistas; mas não é bem visto pelos partidos Conservadores de direita e Conservadores de esquerda, que afirmam que um sistema Federalista na Europa será meio caminho para a submissão dos povos europeus às vontades, ambições e liderança do eixo Franco-Alemão, as potências centrais da península europeia, que subjugariam todas as suas circundantes.

Este oscilar entre construção e destruição das “uniões europeias” ao longo da história, faz-nos pensar se será este o nosso eterno destino. Organizarmo-nos em bloco por concluirmos que “juntos somos mais fortes e seguros”, para depois de organizados chegarmos à conclusão que nos devemos desorganizar porque “juntos não nos entendemos”!

Este foi o modelo que vigorou na Europa desde que a História o reporta, a união tendo em vista o progresso conjunto, e a desunião tendo em vista a autodeterminação de cada um.

Será a Europa como um ser humano que dentro de um espectro de erros perpetuados eternamente de forma cíclica consegue ainda assim evoluir? Estará a Europa destinada a construir-se e destruir-se eternamente? Chegará o dia em que os europeus voltarão a valorizar não as culturas, línguas ou nacionalidades que são o que mais os separa, para valorizar os valores e matriz judaico-cristãos que é o que mais os une? Ou veremos um dia uma Europa politicamente unida em harmonia de povos?

Não sabemos!

 

 

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