8 Março 2017      15:42

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BANCO É CAIXA (OU ERA)

As Instituições bancárias não são todas iguais. Se a generalidade dos Bancos procura o lucro e a otimização de recursos, existe um banco – a Caixa Geral de Depósitos – que deve prosseguir outro tipo de interesses, dado que o seu capital é exclusivamente público. Existem muitas outras diferenças, no funcionamento e nos processos, entre a Banca comercial e a Caixa, mas aos dias que correm, convém salientar as principais diferenças, aquelas que têm a ver com a missão e a sua relação com os cidadãos.

Nunca pensei em citar Luiz Felipe Scolari, mas “Banco é Caixa”. Isto é, serviço (público) bancário tem de ser, ou deveria ser assegurado, pela Caixa Geral de Depósitos. Este é o grande compromisso desta Instituição financeira pública. Independentemente dos planos de reestruturação e das negociações com Bruxelas, o Banco deveria continuar a prosseguir os seus fins públicos, ainda que assentes numa Economia de Mercado. Um destes fins é, sem sombra de dúvidas, a sua presença no território nacional, esse país tão diferente e que cada vez mais com enormes assimetrias. Esta solidariedade territorial também se coloca para outras empresas de capitais privados, como é o caso dos CTT, que pese embora alguns locais serem deficitários, por uma razão de abrangência e até de “marca” estão presentes nos 308 concelhos do nosso país.

É curioso escrever duas vezes seguidas sobre o concelho de Marvão, sobretudo por más razões, mas não poderia deixar passar este assunto. A Administração da Caixa Geral de Depósitos manifestou recentemente a intenção de fechar, numa primeira fase, cerca de 70 balcões em território nacional. Este objetivo que resulta do Plano de Recapitalização foi dado a conhecer recentemente e o fecho vai efetivar-se já no final do mês de março. Pelas informações que recolhi, existem dois concelhos que saem bastante prejudicados: Marvão e Golegã. Porquê? São os únicos concelhos que vão ficar sem qualquer agência da Caixa Geral de Depósitos, tirando, às suas sedes de concelho, um pilar fundamental da vida económica e da convivência comunitária, o “banco - a “caixa”.

Pode ler- se no documento de Política de Envolvimento com a Comunidade da CGD: “integrar a comunidade como fator determinante na criação de valor e na sustentabilidade do negócio, apoiando e fortalecendo a estratégia, marca e valores corporativos”. Por outra, sabemos que um suporte deste Programa de Governo é a defesa da Coesão Territorial e a aposta na Valorização do Interior. Perante isto subsiste a pergunta: por que razão não se cancelou já esta medida profundamente discriminatória com estes territórios?

A resposta que encontramos é: vamos lá colocar uma máquina. Muito bem, assim também podiam substituir a senhora do registo civil por um computador, o senhor das finanças por um terminal e o carteiro por um robot. Por fim, estes funcionários podiam todos ir trabalhar para o litoral. Nem nas principais distopias literárias conseguíamos encontrar esta inequívoca otimização de recursos. Mais do que a falta de sensibilidade com que se tomam estas medidas, importa destacar as graves consequências que estes atos têm, não só no presente, mas sobretudo no futuro, no desenvolvimento de projetos e na captação de investimento.

Nestes processos existem comunidades que acabam por ter mais força do que outras. Presidentes de Câmara que são mais atentos do que outros. Deputados que são mais ativos do que outros. Governantes que são mais solidários do que outros. Não importa como, mas que se consiga impedir estes atentados, de votar populações e concelhos inteiros ao abandono, ao fechar um serviço que deveria ser consagrado para todos os cidadãos no território nacional - o serviço público bancário.

Imagem de capa da CGD.

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