19 Janeiro 2021      11:07

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Autarca de Beja afirma que enfermeiros que saíram do país “fazem muita falta”

Paulo Arsénio, presidente da Câmara Municipal de Beja

Paulo Arsénio, presidente da Câmara Municipal de Beja, afirmou que “os enfermeiros formados na Escola Superior de Enfermagem (ESE) de Beja e que têm saído para o estrangeiro fazem agora muita falta”, no âmbito do agravamento da pandemia de covid-19.

Em declarações ao Jornal de Notícias, o autarca apela: “não sei como seria viável, mas via com bons olhos eles virem dar uma ajuda ao seu país”. Recorde-se que a ESE é considerada uma das melhores escolas de enfermagem em Portugal e cujos alunos sistematicamente deixam o país com destino a Inglaterra.

As declarações de Paulo Arsénio surgem na sequência do agravamento dos casos positivos de covid-19 no concelho e da ocupação total de camas disponíveis em enfermaria e Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) no Hospital José Joaquim Fernandes (HJJF), em Beja, para acolher doentes infetados.

De acordo com o presidente, vão ser montadas em Beja duas novas Estruturas de Apoio de Retaguarda (EAR), mas “o problema não são as estruturas, mas a falta de médicos e enfermeiros, que estão esgotados na sua capacidade de resposta. Fazem um esforço hercúleo”.

O apelo de Paulo Arsénio vai ao encontro das palavras de José Aníbal, diretor clínico da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA): “estamos numa situação muito complicada face ao exponencial aumento de casos. Podemos aumentar o número de camas, mas o mais difícil é gerir e aumentar a capacidade de observação dos doentes”.

O HJJF, em Beja, tem internados 64 doentes infetados com covid-19, 56 em enfermaria e 8 na UCI, o que já levou à transferência de doentes para outra unidade hospitalar. Ana Castro, presidente do Centro Hospitalar Universitário do Algarve, no Hospital de Campanha montado na Portimão Arena, afirma que “foram recebidos dois doentes procedentes do hospital de Beja”.

Os últimos dados da ULSBA referem que, no concelho de Beja, há 549 infetados com covid-19. “A situação é deveras complicada, muito mais que em outubro, que eram [situações] em lares, mas agora é na comunidade e não vai haver uma descida imediata”, sustentou o presidente da Câmara Municipal.

Para aumentar a capacidade de instalação de doentes, em conjunto com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), vão ser montadas as duas EAR. Uma de pequena dimensão nas instalações do Instituto Português da Juventude e outra de grande dimensão nas instalações da Base Aérea (BA) 11, mantendo a existente que tem capacidade para 54 camas. Paulo Arsénio revelou ainda que o assunto “está a ser tratado por Jorge Seguro Sanches, o secretário de Estado responsável pelo Alentejo na gestão da pandemia”.

 

Fotografia de radiopax.com

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