1 Agosto 2016      15:57

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AS LIÇÕES DE MORAL DO GOVERNO

"VISÃO PERIFÉRICA"

Não sou de todo alguém que se socorre da direção espiritual de uma entidade superior e omnipresente, no entanto, admito na condição de ateu, que os exemplos demonstrativos que encontramos na bíblia são um ótimo manual para o nosso dia-a-dia quotidiano.

Com exemplos ilustrados por pessoas, tal como nós, ficamos com umas dicas do que deve ser socialmente aceite ou não, entrando na dicotomia - certo e errado, bem ou mal. É certo que ter um quadro deontológico e de condutas morais facilita-nos imenso a vida na hora da inserção social numa determinada cultura dominante. Mas há lições aos “peixinhos” que deviam ser seriamente repensadas, no seu conteúdo e forma, falando neste caso do: Orçamento Participativo Nacional.

A ideia não é inovadora, existindo diversas instituições que executam este tipo de orçamento no seu raio de ação, conquanto, com este projeto do Governo, todos podemos contribuir com ideias, existindo posteriormente uma seleção dos melhores motes através de sufrágio para uma consequente execução.

Não descredibilizo a ideia, porém, para um projeto nacional com esta proclamada envergadura, apenas estarão disponíveis três milhões de euros. Ora o brilhantismo do plano cai por terra com a insignificância dos números descritos. Tamanha lição de moral que aprendi: - Nós fazemos o bem, apenas da forma errada! Dr. António Costa, obrigado pela sua filosofia moral...

Já a carta de Centeno a Bruxelas para evitar as sanções segue o mesmo principio: muitas lições e princípios (que merecem respeito) mas pouco conteúdo interno. Os tecnocratas europeus anseiam por métodos concretos para alcançar os objetivos, mas disso foge o Governo a sete pés. O desequilibro politico interno é demasiado volátil e instável, tornando-se necessário passar a mão pelos ombros do BE e PCP, contudo grandes decisões aproximam-se com a discussão para o Orçamento de Estado de 2017.

O PCP já anda com o estômago aos saltos com o líder comunista, Jerónimo de Sousa, a acusar o PS de falta de lealdade na escolha de juízes para o Tribunal Constitucional, contrapondo a honestidade que o partido tem demonstrado com a solução politica encontrada.  E se não existirem aumentos para a Função Pública em 2017, algo que é mais do que provável acontecer?

Jogar dois jogos separados, um com Bruxelas e outro com o PCP, resultará, mais tarde ou mais cedo, num par de mão atadas por parte deste Governo. A austeridade não acabou, e estas lições e sermões morais apenas têm vindo a empurrar os problemas para um plano futuro. O problema é que também as lições não se prolongam eternamente no tempo, e estas migalhas de pão que têm sido arremessadas vão começar a escassear cada vez mais. Tenho pena porque alguém as terá que apanhar de novo, no futuro. 

 

Fotografia de Gustavo Bom daqui

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