20 Junho 2017      12:03

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AO ESTADO A QUE A MENTIRA CHEGOU

A obstinação pela crítica, pela maledicência, pela calúnia e difamação é atualmente um lugar comum que frutifica a desarmonia, enfraquece a mente, exalta a inveja, enaltece a vaidade e glorifica a ruindade.

Em termos gerais, mentir não é crime. Pode ser imoral ou um ato manifesto de total ausência de ética e de carácter, de valores e de princípios, mas somente é crime quando causa dano ou perda às partes.

Infelizmente mentir é cada vez mais uma prática relativamente comum no nosso quotidiano, particularmente nas redes sociais. Dizer inverdades ou dar corpo a injúrias tornou-se num hábito vulgarizado pela práxis de quem, por timidez ou acanhamento, exerce ação traiçoeira de covardia através da difusão de falsidades. Ou, então, por aqueles que, por este meio, procuram ardilosamente provocar danos ou perdas irreparáveis a terceiros. Comportamento que deveria ser fortemente repudiado e punido de forma exemplar.

No entanto e ao contrário do que a razão determina, a reação primária a este género de conduta o que faz é potenciar a irritabilidade, a agressividade e a indignação.

Por outro lado, a narração de belas inverdades encontra terreno fértil nas redes sociais para a propagação de falsidades ideológicas e propaganda política e como a mentira governa o mundo o problema maior reside na credibilidade e no sustentáculo da própria mentira.

De facto, em política a verdade sempre teve várias faces e é por isso que, aos nossos dias, abandalhar a arte da manipulação da verdade é tida como prestar um mau serviço à “democracia”.

Faltar à verdade, quebrar a verdade e afirmar coisa que se sabe ser contrária à verdade, presentemente, é requisito obrigatório para ter carreira política de sucesso. Esta quebra de regras é o epicentro do êxtase que alimenta o arquétipo da classe política mal preparada, incompetente e malformada que contamina a nossa sociedade.

Porém, nas redes sociais as mentes mais propensas à genialidade da mentira encontram amparo e proteção num rendilhado complexo que desemboca numa realidade paralela alternativa, fantasiada ou não! Tendo como estímulo o prazer de quem atalha diretamente para a meta final, esquivando-se, assim, ao aborrecimento da verdade.

Não obstante a liberdade criativa ou a necessidade de que resulta o ato de mentir, a banalização da mentira usurpa à mentira a graciosidade da calúnia e vulgariza o ato de caluniar, despojando-a de sublime beleza, o que faz bradar o riso e instintivamente elevar o estado de alma ao pasmo da imbecilidade.

Embora os motivos que originam a mentira sejam vários, invariavelmente os comportamentos danosos resultam da inteligência maquiavélica de pessoas perversas e sem escrúpulos.

Neste contexto, a mentira, a falsidade e a calúnia são sempre produtos de pensamentos de perfídia, astuciosos, velhacos e traiçoeiros, servindo ódios e desavenças com o objetivo de anestesiar o nosso poder de ajuizar.

Imagem de capa de theweek.com

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