4 Abril 2016      10:37

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O ACTO DE SECUNDARIZAÇÃO DA DEMOCRACIA

"ENTRE NAÇÕES"

Na última quinta-feira tivemos a oportunidade de assistir em plena Assembleia da República, a casa da democracia portuguesa e órgão máximo da mesma, a uma pura demonstração de como uma nação cuja Constituição foi elaborada há 40 anos, sob a égide dos valores democráticos depois de tantos anos de autoritarismo, consegue rejeitar uma condenação apresentada pelo PS e BE relativa ao caso dos 17 ativistas presos em Angola por terem na sua posse um livro intitulado Da Ditadura para a Democracia, e acusados de coautoria de actos preparatórios para uma rebelião e associação criminosa.

Este caso não deixa margem para muitas dúvidas, todos os desenvolvimentos levam a que a tese de existência de influência política na justiça angolana seja a mais credível delas todas, e se assim se confirmar, pode confirmar-se a tese da existência de presos políticos em Angola, fazendo destes 17 condenados o mais recente caso.

Qual não é o espanto do cidadão comum quando se sabe que a condenação deste julgamento foi chumbada em Assembleia da República pelo PSD, CDS-PP e PCP!

Ora o chumbo do PCP não deveria espantar ninguém, todos sabemos quais são as influências de ambos os partidos, e sabemos que provêm da mesma fonte ideológica, e como o PCP é muito devoto a essas questões ideológicas, lá chumbou a condenação alegando não pactuar com pressões e ingerências contra Angola, afirmando que deve ser o povo angolano a decidir! Ora o povo angolano pergunta: decidir como, se por um mero livro polémico somos condenados por rebelião?

O PSD por sua vez veio alegar “o princípio do respeito pelas decisões judiciais e pela separação de poderes”, o que não deixa de ser engraçado quando tudo indica para que o governo angolano tenha interferido e deturpado essa mesma separação de poderes, que por sua vez e consequentemente viria a deturpar a própria decisão judicial!

Quanto ao CDS-PP apresentou o argumento de uma “doutrina antiga do CDS de não comentar ou interferir em processos judiciais em curso, em Portugal ou no estrangeiro”. Mas esqueceu-se de acrescentar que o mesmo CDS-PP já propôs em tempos com o PSD um voto de condenação pelos julgamentos e prisões políticas em Cuba! Ou seja, existe uma certa selectividade nesta “doutrina”!

Resumindo e concluindo, existe algo que não se vê, mas que dá ideia que existe, tal como um gato escondido debaixo de um lençol, não o conseguimos ver, mas que está um vulto ronronante lá debaixo isso está! Existirão vassalos de outros regimes no seio do nosso parlamento? Terá o regime angolano muita influencia em certos e determinados grupos políticos a ponto de influenciar certas e determinadas decisões? Mesmo decisões directamente relacionadas com o desrespeito aos valores democráticos que esses mesmos grupos políticos tanto defendem? Estará a democracia a ser posta em segundo plano em prol de interesses menos éticos? Estará a nossa democracia minada por um lobby angolano? Terá sido esta votação o espelho de uma partidarização de uma questão de Estado?

São questões que ficam ao critério de cada um…

 

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